IOP e EXÉRCITO discutem os rumos da Engenharia no âmbito da Administração Pública

Nesta terça, dia 16 de dezembro de 2014, o Presidente do IOP, Eng. AIE Willian Bueno, e o Diretor de Estudos, Eng. AIE Ednilson Ferreira, reuniram-se para um almoço informal com engenheiros do Exército Cel. Washington Luke e Cel. Alexandre Fitzner Nascimento, gerentes do Sistema Unificado do Processo de Obras (OPUS).

Os referidos Coronéis aceitaram nosso convite para almoço com o objetivo de conversar sobre questões referentes ao sucesso da implantação da tecnologia BIM no Exército, além de outras questões referentes à contratação e execução de obras no âmbito da Administração Pública brasileira.

Dentre as instituições públicas, o Exército Brasileiro é pioneiro na implantação bem sucedida da Tecnologia BIM para planejamento e controle da contratação e execução de obras. Tal tecnologia vem sendo amplamente empregada pelo setor privado e pelo setor público da maioria dos países desenvolvidos. (Leia mais sobre Tecnologia BIM+GIS)

Segundo nos foi informado pelos colegas engenheiros militares, uma das grandes dificuldades para a implantação de tecnologias baseadas na integração BIM+GIS, como o Sistema OPUS, é administrar a centralização dos projetos em uma única plataforma. Ou seja, os diversos departamentos relacionados à implantação do projeto (responsáveis pela contratação, pelo projeto, pela orçamentação, etc.) deveriam trabalhar de forma adaptada ao sistema. Isso exigiu a integração destes diversos departamentos envolvidos com o planejamento e contratação das obras do Exército. Até então, eles eram independentes. Houve, portanto, uma centralização das atividades referentes à contratação/execução de projetos do Exército Brasileiro.

Nessa fase de transição, tanto contratados quanto contratantes devem estar unidos pela mesma plataforma. Ou seja, deve haver uma exigência contratual onde o responsável pela elaboração do projeto desenvolva o mesmo dentro da tecnologia BIM, para posteriormente entregar a íntegra do mesmo para ser carregada na plataforma desenvolvida pelo Exército. Devido à complexidade envolvida, foi preciso fazer uma introdução. Iniciando-se com algumas obras pré-selecionadas para a fase experimental, até que se conseguisse o aprendizado por parte dos técnicos da organização e se fizesse um feedback do sistema com o objetivo de melhoria de procedimentos e adequação e com vistas à otimização do mesmo.

Os benefícios foram então observados e, atualmente, a adoção do Sistema OPUS passou a ser obrigatória para todas as obras contratadas/executadas pelo Exército Brasileiro.

Embora tal tecnologia tenha trazido benefícios à capacidade do Exército em planejar, contratar e implantar as obras sob sua jurisdição, a Instituição se vê limitada ao fato de não ter controle sobre questões que fogem a sua competência. Ou seja, o ideal é que todos os órgãos cuja atribuição seja financiar projetos de obras públicas adotassem o mesmo sistema, de modo que os agentes tenham maior controle sobre todos os aspectos do processo, garantindo agilidade na execução, maior controle dos custos e maior previsibilidade de acontecimentos durante a execução da obra.

A tecnologia BIM já é uma realidade nos países desenvolvidos. Aqui mesmo no Brasil, as grandes construtoras já estão se adaptando e adotando esta tecnologia, por constatarem os ganhos em termos de tempo e de retorno financeiro que esta tecnologia proporciona. E para nós da Administração Pública nos adequarmos a esta realidade é apenas uma questão de tempo.

O Governo Federal precisa se tornar num dos principais incentivadores deste processo. Devemos nos preocupar em adotar os mesmos passos que o Exército já adotou, começando com algumas obras experimentais. Posteriormente, serão observados os benefícios advindos da adoção da tecnologia BIM, novas ideias de melhoria da implantação desta tecnologia surgirão, até se alcançar o limite ótimo de utilização do sistema. Isso servirá de exemplo e incentivo para os demais entes federados, até que se torne imperativo para todas as obras do Governo Federal.

Uma das grandes dificuldades a ser enfrentada será a integração das atividades de planejamento e implantação de obras em única plataforma, uma vez que há pouca comunicação entre os diversos órgãos que financiam ou contratam obras públicas. Mas é justamente pela melhoria do sistema como um todo que estamos trabalhando no IOP. E o Sistema OPUS é uma iniciativa que apoiamos e que pretendemos buscar para a Administração Pública.

Esta é uma razão pela qual o IOP defende a Especialização e a Independência Técnica desta função de Estado. A Especialização e a Independência Técnica são condições essenciais para que as instituições possam desenvolver suas atribuições e possam absorver inovações tecnológicas de maneira rápida e eficiente.

Enfim, em um futuro próximo, o BIM será uma realidade brasileira, para o qual nós, técnicos especializados da Administração Pública, devemos estar preparados.

Deixamos para discussão no âmbito do IOP a seguinte questão: Como implantar a tecnologia BIM no âmbito do Governo Federal e nas demais esferas de Poder Público?

Por Ednilson Ferreira e Willian Bueno, Analistas de Infraestrutura do MPOG.
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