Adoção do BIM nas Obras Públicas – Audiência Pública na CDU

No dia 18 de novembro de 2015, o IOP participou de Audiência Pública na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara de Deputados que discutiu sugestões e medidas de adoção do Building Information Modeling (BIM) em obras públicas. A audiência contou com a apresentação de autoridades sobre o assunto. O Deputado Carlos Marun, 1º Vice-Presidente da CDU, foi quem declarou aberta a audiência e o Deputado Julio Lopes, Presidente da CDU,  foi depois quem a presidiu.

Cita-se a seguir alguns dos participantes presentes:

  • o Coronel Washington Luke, Ex-Chefe da Seção de Estudos e Projetos da Diretoria de Obras Militares do Exército Brasileiro;
  • o Capitão Edilberto Cabral, Chefe da Seção de Tecnologia da Informação da Diretoria de Obras Militares do Exército Brasileiro;
  • o Sr. Paulo Rogério Luongo Sanchez, Membro da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da CBIC, Vice-presidente do SindusCon-SP e Sócio Gerente da Sinco Engenharia;
  • o Arquiteto Pedro da Luz Moreira, Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil/RJ e Professor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF/RJ;
  • a Sra. Inês Magalhães, Secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades;
  • o Arquiteto Rodrigo Chagas Machado, Gerente de Projeto e Inovação do CREA-RJ;
  • o Professor Luiz Augusto Contier, Gerente de Projeto e Inovação do CREA-RJ;
  • o Sr. Alexander Justi, Arquiteto;
  • o Sr. Robinson R. Pitelli, Analista de Infraestrutura.

A íntegra dessa audiência pode ser conferida no link:

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdu/videoArquivo?codSessao=55048&codReuniao=42110#videoTitulo

O objetivo da audiência foi discutir a importância de se adotar a tecnologia BIM em obras públicas. Diversas vantagens foram elencadas dentre as quais vale destacar a redução de erros por incompatibilidade de projeto, a possibilidade de planejamento integrado entre as diversas disciplinas envolvidas no projeto de uma obra, além de oferecer mais transparência na fase de projeto. Para isso foi sugerido alterações na legislação brasileira para que tal tecnologia passasse a ser obrigatória.

A tecnologia BIM vem sendo defendida pelo IOP e suas vantagens e inovações na forma de se planejar uma obra já estão amplamente difundidas em nosso site. Assim, vemos tal propositura como um avanço para a administração pública, especialmente porque diversos países que estão na vanguarda do desenvolvimento já vem empregando tal tecnologia com excelentes resultados, conforme também já divulgado pelo IOP.

Vale lembrar que o Exército Brasileiro está na vanguarda da adoção do BIM aqui no Brasil e há quase uma década vem desenvolvendo o Sistema OPUS, que busca servir como uma ferramenta de gestão das diversas obras que o Exército possui e já conversando com o BIM. Esta ferramenta do Exército foi apresentada rapidamente pelo Capitão Edilberto Cabral Ferreira e pelo Coronel Washington Luke, que iniciaram as apresentações sobre o BIM durante a audiência, expondo a experiência do Exército Brasileiro. Tais tecnologias já são empregadas nesta instituição há muito anos, ou seja, a expertise do Exército vem a demonstrar que, sim, é possível a Administração Pública adotar o BIM.

Ao longo das apresentações que se seguiram, foi possível observar uma forte vontade do setor privado pela adoção do BIM nas obras públicas. Algumas ponderações vieram à tona, no entanto, no sentido de que fosse incentivada a adoção mas que esta adoção não fosse obrigatória. Entretanto, tendo em vista as vantagens trazidas por essa tecnologia que já vem sendo adotada em algumas empresas nacionais, devidamente expostas durante a audiência, a opinião pela obrigação da adoção com o estabelecimento de um prazo, ainda a ser determinado, teve maior aceitação pela maioria dos presentes.

O IOP, por sua vez, apoia tal movimento, especialmente porque, uma vez adotados pela Administração Pública, esta tecnologia poderá ser aperfeiçoada ainda mais, a fim de atender a demanda das obras públicas e fazendo a disseminação da tecnologia para os contratados, a fim de elaborarem os projetos dessas obras com maior grau de precisão e integração entre disciplinas de projeto. Isso deverá resultar em uma maior capacitação das mesmas e fomentará uma maior concorrência entre as empresas desenvolvedoras dessa tecnologia, aquecendo esse mercado e melhorando a capacitação dos profissionais da engenharia sobre essa tecnologia.

Por outro lado, tanto quanto o BIM, o IOP entende ser crucial a adoção do sistema OPUS, para a gestão destas obras públicas, uma vez que há essa carência dentro da Administração Pública e que essa carência vem causando transtornos na implantação de obras devida a essa falta de gestão e intercomunicação entre os diversos órgãos públicos financiadores destes empreendimentos. Na audiência, este aspecto foi explanado pelo Diretor de Estudos do IOP durante o seu pronunciamento, o Sr. Ednilson Oliveira Ferreira. O mesmo procurou expor aos presentes aspectos importantes e necessários de serem discutidos para possibilitar a efetividade da adoção do BIM para as obras públicas. Foi explicado que a implantação do BIM precisa vir acompanhada de capacitação dos servidores públicos que lidam com obras públicas, a fim de os mesmos terem o domínio sobre esta nova tecnologia para poderem analisar um projeto entregue em BIM. Ao mesmo tempo, procurou-se expor que esta nova tecnologia exige a disponibilização aos servidores de equipamentos mais modernos que sejam capazes de suportar os requisitos mínimos exigidos pelos softwares que trabalham dentro do BIM.

O pronunciamento do Sr. Ednilson Oliveira Ferreira, Diretor do IOP, pode ser conferido no vídeo a seguir:

Por sua vez, o Presidente do IOP, o Sr. Willian Bueno e Silva, fez o seu pronunciamento reiterando o posicionamento do Sr. Ednilson, complementando a necessidade de estruturar as instituições públicas para implementar estas tecnologias com excelência. Foi enfatizado que seja criado um ambiente para constante evolução e uma apropriada coordenação com os órgãos setoriais que empregam tais tecnologias. Fez também uma importante ressalva de que o Sistema OPUS sugerido pelo Sr. Ednilson de ser adotado pela Administração Pública seja administrado por órgão técnico especializado central, de modo que todas as obras federais sejam planejadas sobre esta base única, e que futuramente, toda e qualquer obra de interesse público sejam também planejadas sobre esta mesma base. Foi citado, ainda, países que adotam este princípio de gestão centralizada quando o assunto é obras públicas, quais sejam:

  • USA: GSA;
  • Reino Unido: Infraestructure UK;
  • Cingapura: Autoridade de Construções e Edificações de Cingapura (Building and Construction Authority, BCA);
  • Chile: Ministério das Obras Públicas (MOP).

O pronunciamento do Sr. Willian Bueno e Silva, Presidente do IOP, pode ser conferido no vídeo a seguir:

Assim, avaliamos que a audiência teve um resultado bem positivo. A mesma foi a primeira discussão séria sobre o tema e com a intenção real de trazer esta tecnologia para a Administração Pública. Os profissionais presentes possuíam a expertise necessária para expor as vantagens da adoção da tecnologia BIM, uma vez que demonstraram experiências de sucesso de empreendimentos projetados, planejados e executados a contento com esta tecnologia. Lembro, ainda, que algumas iniciativas de alguns poucos órgãos públicos vem se desenhando dentro da Administração Pública, mas ainda muito timidamente, como, por exemplo, é o caso do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – DNIT.

Vale ressaltar, finalmente, que todos foram unânimes sobre a necessidade da Administração Pública adotar o BIM nas obras públicas. E o IOP também concorda com isso. No entanto, fica o alerta de que a simples adoção dessa tecnologia, sem a discussão dos aspectos necessários para que a Administração Pública possa ter efetividade nessa adoção, e havendo uma gestão eficiente destas obras públicas por meio de um órgão especializado e com autonomia técnica para criar o ambiente favorável para isso, torna essa discussão vazia e cria-se o problema de se tornar uma obrigação legal sem a possibilidade de ser cumprida ou cumprida apenas parcialmente. O IOP já vem apresentando os modelos ideais para que esta adoção aconteça. As experiências de sucesso em outros países vem a demonstrar que as ideias do IOP corroboram para a adoção do que vem sendo considerado a revolução na forma de se projetar e de se planejar uma obra de engenharia.

Se você tem essa preocupação, então junte-se a nós! Participe dessas nossas discussões! Dê ao Estado a sua contribuição para que o mesmo possa melhorar a sua capacidade de implantar obras públicas com mais eficiência e qualidade!

A União faz a força e almeja a sua participação!

Autores:
Ednilson O. Ferreira
Willian Bueno

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