Esses dias, em um encontro com amigos e seus filhos, parei para observar como as pessoas — jovens e adultos, profissionais e estudantes — têm se comportado diante do ritmo cada vez mais acelerado da vida. A cena comum se repete: adultos que, diante do menor contratempo, explodem em descontroles emocionais; jovens que, sem conseguir lidar com o tédio ou a espera, se revoltam com seus pais e voltam para a tela do celular em busca de fuga imediata da realidade. Em um primeiro momento tudo parece em ordem até que uma inquietação crescente transforma a paz em caos: a ansiedade foi normalizada, travestida de um desejo pessoal que precisa ser atendido imediatamente.
Coincidentemente hoje de manhã, ao abrir o feed de um influenciador, li uma frase que me acertou como uma flecha: “ambição sem ação se torna ansiedade”. Simples e curta, mas devastadora. Ela resume o ciclo que muitos de nós vivemos: acumulamos tarefas, ideias e expectativas, mas ficamos paralisados, dando importância a coisas sem sentido e depois ruminando sobre o que não conseguimos mover. O resultado é um mal-estar constante, uma angústia, uma agitação interior que parece não ter fim, mas que com o tempo vamos aprendendo a lidar e a nos conformar como algo normal.
De onde vem tanta ansiedade?
Há quem culpe a tecnologia, a rotina ou até o excesso de informações. Mas, olhando mais fundo, percebo algo que, talvez, poucos enxergam: falta propósito. Quando não sabemos para onde estamos indo, qualquer atividade vira peso, toda escolha parece incerta e o tempo se transforma em ameaça, não em aliado.
É como disse o Gato de Cheshire para a protagonista de “Alice no País das Maravilhas”: “Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.”
Além disso tudo, hoje, Inteligências Artificiais fazem por nós tarefas que antes tomavam horas e, mesmo assim, seguimos desorganizados, angustiados. Temos ferramentas nas mãos, mas sem direção, elas só multiplicam as possibilidades e a ansiedade. Algumas vezes, o que falta não é organização, mas um motivo verdadeiro para agir. É o que costumo chamar de voo de besouro. Queremos ir numa direção, mas não temos instrumentos práticos para isso. Então, ao abrir as asas e começar a voar, seguimos para onde dá e não necessariamente para onde gostaríamos.
E, enquanto estamos no ar, vamos tentando corrigir o rumo com as mesmas referências limitadas que tínhamos no início. Aos poucos, podemos acabar nos afastando cada vez mais do nosso propósito inicial. O paradoxo é que, nesse processo, o próprio ato de voar passa a ser o foco, e não o destino. O movimento vira justificativa de existência, de ação, mas esquecemos a pergunta mais importante da jornada: Para onde estávamos indo?
O que ninguém vai te dizer sobre isso
Estamos nos acostumando com a ansiedade, tratando-a como parte inevitável da vida moderna. Voar, mesmo que sem rumo, se tornou mais importante do que saber para onde ir, efetivamente.
Aceitamos a agitação constante, os acessos de raiva e a indecisão como se fossem sintomas de uma “nova normalidade”. Sou um sujeito calmo, que analisa cenários e fico espantado com o que estou vendo. Confesso que me assusta ver famílias inteiras já assim, com crianças conformadas por este tipo de “normal”. Parece que vamos anestesiando a própria personalidade não só nossa, mas de quem convive conosco. Nossos filhos estão replicando o comportamento. Quando não sabemos quem somos ou o que queremos, nossa identidade se dilui: viramos personagens perdidos num roteiro escrito por outros.
E aí vejo que as redes sociais se tornam um catalisador desse comportamento: lá a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Quando não sabemos quem somos e o que queremos, nos tornamos altamente influenciáveis, aceitando como normais comportamentos e imagens que construímos de nós, mas que não somos. Se não sabemos, alguém vai nos dizer. A essas pessoas demos o nome de influencers, ou influenciadores. Eles se multiplicam todos os dias nas redes sociais.
Por ironia ou não, a frase que me motivou a escrever esse artigo veio exatamente de um “influencer” que frequentemente me provoca. Bom, nem tudo está perdido, mas ter consciência do que acontece nos ajuda a ter doses de lucidez nessa espécie de Matrix que a nossa vida se tornou.
O paradoxo é cruel: nunca tivemos tantas opções e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão perdidos. Sem propósito, até a melhor tecnologia vira desastre. E sem ação, a ansiedade ocupa todos os espaços. E, com ela ocupando tudo, somos influenciados cegamente por pessoas que aparecem em nosso feed por escolha de um algoritmo. Isso não me parece bom para quem quer se tornar protagonista de sua vida. Não acha?
O que o IoP tem a ver com tudo isso?
O Instituto O Pacificador nasceu justamente da percepção de que a vida moderna, marcada pelo excesso de estímulos e pela falta de sentido, exige mais do que organização superficial: exige uma direção clara, um propósito consciente e ação alinhada a valores alicerçados em um propósito sólido de vida. Os ensinamentos dos nossos mestres mostram que o verdadeiro protagonismo não é só reagir aos desafios, mas agir de forma intencional, construindo sentido mesmo diante da incerteza.
No IoP, entendemos que a ansiedade cresce onde falta clareza e ação: sem um propósito, qualquer tarefa vira fonte de angústia, e até as melhores ferramentas, como as inteligências artificiais, se tornam apenas distrações que desviam o nosso voo. É aqui que o tema central deste artigo se revela: “ambição sem ação se torna ansiedade”. Ou seja, não basta apenas sentir ou planejar; é preciso agir, transformar inquietação em movimento, dúvida em escolha.
E é exatamente neste contexto que surge Universo Protagonista (UP), criado a partir dessa constatação, como um projeto-filho do IoP que oferece caminhos práticos para quem quer romper esse ciclo. No UP, ajudamos pessoas a identificarem seu propósito, darem o primeiro passo e cultivarem hábitos que transformam ansiedade em ação, dúvida em construção de personalidade.
Se a ansiedade parece ter se tornado seu estado natural, talvez seja hora de se perguntar: o que estou fazendo com essa inquietação? O protagonismo começa quando, mesmo sem garantias, você escolhe agir com sentido.
O IoP e o Universo Protagonista existem para ajudar você a fazer exatamente isso: transformar ansiedade em ação, e ação em regra, em crescimento. Para conhecer mais sobre o projeto, visite: www.universoprotagonista.com
A ansiedade é um chamado, não uma sentença. Quando transformamos inquietação em atitude, deixamos de ser reféns das circunstâncias e começamos a escrever nosso próprio roteiro.
O segredo não é eliminar a ansiedade, mas dar a ela um propósito e, sobretudo, agir. Porque, como vimos, ambição sem ação só se multiplica. Mas, quando se move, abre caminhos.
Para saber mais
Aristóteles, Ética a Nicômaco – Sobre virtude, propósito e excelência.
C.S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples – Sobre o sentido da vida e escolhas.
G.K. Chesterton, Ortodoxia – Sobre paradoxo, alegria e sentido da existência.
Jorge Quintão – IoP