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A Vida e a Alegria de Servir

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Com muita alegria, recebi o desafio do Instituto O Pacificador no sentido de transmitir aos caros leitores algumas considerações acerca da Vida. Alguém poderia perguntar: o que um velho Soldado – assinalando que espero ter vida longa pela frente – teria a apresentar de inédito às múltiplas reflexões já conhecidas e debatidas sobre a vida, ao longo da história da humanidade?

Talvez, nenhum tema tenha sido tão obstinadamente perseguido pelo homem quanto o entendimento do sentido da vida. A essa saga, desde a antiguidade clássica, se debruçaram diferentes correntes filosóficas, bem como as mais diversas tendências religiosas. Tanto filosofia quanto religião, por sua vez, especularam sobre o caráter sagrado da vida, até nossos dias. Nesse mister, até mesmo a política sofreu influência. Nossa Constituição, por exemplo, estabelece em seu artigo quinto que todo cidadão brasileiro tem o direito a vida.

Confesso que sobre mim pairam dúvidas sobre o ineditismo daquilo que consegui elaborar, mas mantenho a certeza de que provem do que até então balizou meu caminhar. Assim, sem a tola pretensão de domar a inquietude própria daqueles que buscam, incessantemente, atribuir um sentido para a vida, tratarei, nessas poucas palavras, das minhas percepções sobre o que julgo ser o mais caro para todos nós.

Há tempos, Aristóteles nos brindou com a afirmação de que o homem é um animal político, não vocacionado para a vida em isolamento, mas sim em sociedade. Essa assertiva baseia-se na observação de que, mesmo nas nossas mais remotas referências, as relações humanas pressupõem ordem. Assim, não seria equivocado afirmar que, antes de tudo, a ordem está intimamente ligada à vida.

Nos idos do século V a. C., com o robustecimento das cidades-estados gregas – fruto da crescente urbanização resultante do aumento da atividade comercial e de uma incipiente indústria artesanal –, a humanidade viu nascer o cidadão, produto da democracia direta ora descortinada. O novo modelo deu lugar a vozes antes desconsideradas. A comunicação então, passou a ser um atributo fundamental à vida.

Nesse ambiente, diversas correntes de pensamento desenvolveram métodos de argumentação. Os sofistas surgem como os representantes do pragmatismo e os paladinos da opinião útil, baseada na prática sólida, voltada para a solução dos problemas do cotidiano. Para além dos ensinamentos voltados para o uso diário imediato, os sofistas valorizaram a capacidade de discursar, impulsionando, por resultado, o desenvolvimento da retórica, da política e da erística, esta última muito diferente da dialética, haja vista seu posicionamento hostil à investigação.

Uma das maiores figuras da filosofia grega, o ateniense Sócrates foi, inicialmente, considerado um sofista, muito em razão da sua condição de professor que, pela similitude da prática de ensinar, provocava reações análogas nas multidões, àquelas geradas pelos sofistas. Delatado por propagar ensinamentos subversivos, foi acusado de inconformismo com a religião oficial e de corromper os jovens com os seus ensinamentos. Sócrates foi o precursor das escolas estoica e cínica, tendo, com os primeiros, compartilhado o inexorável compromisso com a virtude, considerada o maior dos bens, e com os cínicos a despreocupação para com os bens terrenos.

A base do pensamento socrático, grosso modo, era a admissão de que, embora não detenhamos as respostas definitivas para os nossos questionamentos, a formulação das questões fundamentais é a essência da busca pelo conhecimento. Seu interesse central era o Bem, que para ser alcançado demandava do conhecimento. Assim, para alcançarmos o Bem precisamos do conhecimento. Logo, o Bem é conhecimento, marco central presente no pensamento grego. Platão, seu mais famoso discípulo, imortalizou o pensamento socrático por intermédio dos Diálogos, obras literárias e filosóficas que tratam da verdade, da razão e, claro, da vida.

Ora, após esse muito breve passeio pelas origens da Filosofia – ciência riquíssima e a base dos demais Saberes – é bem possível que você, paciente leitor, esteja pensando: aonde esse General quer chegar? O tema não era a Vida? Vou tentar responder, ainda me valendo, por segurança, do resgate eventual do pensamento de notórios humanistas da nossa História.

Por convicções individuais, alimento meu credo religioso, base para o meu fortalecimento espiritual e sustentáculo para buscar entender, sob a ótica de uma criatura de Deus, a inexorabilidade de Seus desígnios. Ao associar minha fé à busca pelo conhecimento disponível ao homem de carne e osso, tenho constatado, ao longo dos meus 67 anos de idade, que a vida é, como já exaustivamente declamado, um presente. Como tal, considerando a intenção de quem nos deu, devemos tratá-la bem, com atenção, carinho e zelo. Os demais ingredientes que pontuam – e temperam – nossa trajetória terrena podem ser acrescidos e gerenciados sem moderação, sendo alguns deles: a solidariedade, o respeito, a compreensão, a tolerância e a bondade. Ingredientes estes, cabe ressaltar, essencialmente vocacionados ao convívio social humano, estando, portanto, dirigidos ao relacionamento com o próximo. Qual graça teria a vida se não compartilhássemos o dom da nossa existência com outros?

Tradicionalmente mais valorizado por aqueles que já alcançaram idades avançadas (os nossos “velhinhos”), o Tempo é uma condicionante importante a ser considerada no trato do nosso Presente. A percepção comum é aquela que associa a sua passagem a algo tão natural que, via de regra, acaba desviando nossa atenção para a real importância desse que, talvez, seja o componente mais precioso da vida. Aos olhos menos argutos, o valor do Tempo é desprezado. Para aqueles mais perspicazes, ou que tenham sido submetidos a situações que os levem a refletir sobre o quão importante é administrar o passar dos anos (dos meses, dos dias, dos minutos, dos segundos…), o entendimento sobre a dimensão da grandeza do Tempo os aloca ao papel de observadores privilegiados do mistério da vida. Sim, embora ainda não tenha dito, a considero um mistério.

Para Santo Agostinho, o presente é o mais importante e o que realmente existe para o homem. Segundo o religioso nascido no século IV, o passado seria a memória do presente e o futuro uma mera expectativa deste. Valendo-se do conceito da eternidade como um atributo divino – Deus é o único Ser eterno –, Agostinho propunha que o Tempo e a Existência se vinculam na exata medida em que tudo o que é criado não pode ter o atributo de eterno. Assim, todo ser está, irremediavelmente, associado à temporalidade, exatamente por ter sido criado, não sendo eterno, e devendo necessariamente se extinguir. Mais tarde, Immanuel Kant, na obra Crítica da Razão Pura (1781), vinculava o Tempo ao conhecimento empírico, este associado às percepções dos sentidos. Sem a noção de tempo, todas as nossas representações perderiam o sentido lógico e não mais conseguiríamos organizar a realidade, ou seja, o tempo presente.

Do Tempo levo a imponderável certeza da transitoriedade. Nossa existência é uma passagem, cabendo a cada um de nós, dentro das nossas possibilidades, construir e sedimentar o caminho a ser percorrido. Seremos lembrados – ou não – pelo que fizermos de significativo na “obra” da vida. Aos pretensos “engenheiros”, aconselharia a valorizar, diariamente, o trabalho dos “pedreiros”, não esquecendo que, no “projeto”, nem tudo pode sair da forma que desejamos, mas o prazo de conclusão já foi estipulado. E nem sempre nos comunicam a data exata. Então, caprichem!

Finalizando, não poderia deixar de relatar um aspecto importante no trato do nosso “presente”: a alegria de viver. Tarefa fácil. Descobri que viver sozinho é um desperdício, assim constituí uma família que amo e, em cujo seio, sou amado. Ademais, construí amizades sólidas e sinceras, nas quais sei que posso, ternamente, confiar. Convivo com o próximo com alegria! Descobri que viver sem servir não seria uma opção. Muito cedo, influenciado por meu saudoso pai, escolhi uma maravilhosa profissão que, com o tempo, descortinou-se como um espetacular sacerdócio. Sirvo com alegria! Descobri que viver soturnamente é uma imensa bobagem. Esforcei-me para que, com bom humor e leveza, as inevitáveis agruras do dia-a-dia fossem suavizadas.

Ao longo da vida profissional, em todas as minhas diretrizes de comando, como primeiro item sempre estabeleci o preceito: “trabalhar com alegria e muito”. Alguém pode perguntar: Por que não muito e com alegria? Ora, porque na vida temos outros compromissos: com a família, com nossa saúde e com nosso crescimento individual.

Dessa forma, meu caro leitor, encerro minhas despretensiosas palavras sobre a vida. Conselhos a dar? Não cometeria essa tola imprudência… Uma pequena e humilde sugestão, apenas: pratique o bem e viva com alegria!

General Eduardo Villas Bôas

Duque de Caxias – O Pacificador

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Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 25 de agosto de 1803, na fazenda São Paulo, Vila de Porto da Estrela, na Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice-Reino de Portugal onde hoje é o município de Duque de Caxias no estado do Rio de Janeiro.

Filho do Marechal de Campo Francisco de Lima e Silva e de D. Mariana Cândida de Oliveira Belo, Caxias começou cedo a participar da história do Brasil quando foi titulado Cadete de 1ª Classe, aos 5 anos de idade pela família real em 1808 para ajudar na criação do príncipe herdeiro, sendo essa sua primeira missão.

Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar, de onde foi promovido a Tenente, em 1821, para servir no 1º Batalhão de Fuzileiros, Unidade de elite do Exército Real.

Com o retorno da Família Real para Portugal e a proclamação da independência do Brasil, Caxias imediatamente toma a iniciativa de organizar em outubro de 1822, no Campo de Santana, a Imperial Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador, integrado por 800 militares escolhidos diretamente por ele na tropa.

O Primeiro ciclo de ações pacificadoras na história do Tenente Luiz Alves de Lima e Silva se inicia ao receber das mãos do Imperador D. Pedro I a bandeira do Império recém-criada, na Capela Imperial, em 10 de novembro de 1822, símbolo de novas responsabilidades. No dia 3 de junho de 1823, o jovem militar tem seu batismo de fogo, quando o Batalhão do Imperador foi destacado para a Bahia, onde pacificaria um movimento contra a independência do Brasil. No retorno dessa campanha, recebeu o título que mais prezou durante a sua vida – o de Veterano da Independência.

Um longo ciclo de questões internacionais na região do Prata se inicia em 1825, com a Campanha da Cisplatina e já Capitão, Luiz Alves desloca-se para os pampas, junto com o Batalhão do Imperador. Sua bravura e competência como comandante e líder o fazem merecedor de condecorações e comandos sucessivos, retornando da campanha no posto de major.

Casou-se em 1833, no Rio de Janeiro, com Luíza de Loreto Carneiro Viana, que foi sua companheira por décadas.

Foi promovido em 1837 a Tenente-coronel e parte para pacificar a província do Maranhão, onde havia se iniciado o movimento da Balaiada. Em dezembro de 1839 é promovido a Coronel e, por Carta Imperial, nomeado presidente da província do Maranhão e Comandante-geral das Forças em operações, para que as providências civis e militares emanassem de uma única autoridade. Em agosto de 1840, mercê de seus feitos em pleno campo de batalha, Caxias foi nomeado Veador de Suas Altezas Imperiais.

Seu biógrafo Padre Joaquim Pinto de Campos relatou que em julho de 1841, em atenção aos “serviços prestados na pacificação do Maranhão, foi-lhe conferido o título nobiliárquico de Barão de Caxias, que significava a disciplina superior, capacidade de administração, vitória, justiça, lealdade e glória”.

Ainda em 1841, Caxias é promovido a Brigadeiro e, em seguida, eleito unanimemente deputado à Assembleia Legislativa pela província do Maranhão e, já em março de 1842, é investido no cargo de Comandante das Armas da Corte. Em maio de 1842, iniciava-se um levante na província de São Paulo, suscitado pelo Partido Liberal.

D. Pedro II, com receio de que esse movimento, alastrando-se, viesse fundir-se com a revolta farroupilha, que se desenvolvia no sul do Império, resolve chamar Caxias para pacificar a região. Assim, o Brigadeiro Lima e Silva é nomeado Comandante-chefe das Forças em operações da província de São Paulo e, ainda, Vice-Presidente dessa província. Cumprida a missão em pouco mais de um mês, o Governo, temeroso que a revolta envolvesse a província das Minas Gerais, nomeia Caxias Comandante do Exército pacificador naquela região, ainda no ano de 1842. Já no início do mês de setembro, a revolta estava abafada e a província, pacificada. No dia 30 de julho de 1842, “pelos relevantes serviços prestados nas províncias de São Paulo e Minas”, é promovido ao posto de Marechal de Campo graduado, quando não contava sequer quarenta anos de idade.

Como pacificador, em 1842 Caxias foi nomeado Comandante-chefe do Exército em operações e Presidente da província do Rio Grande do Sul com missão de pacificar a Farroupilha. Chegando a Porto Alegre, Caxias emitiu um manifesto cívico histórico; “Lembrai-vos que a poucos passos de vós está o inimigo de todos nós – o inimigo de nossa raça e de tradição. Não pode tardar que nos meçamos com os soldados de Oribe e Rosas; guardemos para então as nossas espadas e o nosso sangue. Abracemo-nos para marcharmos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, que é a nossa mãe comum”.

Sua atuação sempre marcada pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia negociações e o honroso campo da luta sem igual firmeza na busca da pacificação é pois, com justa razão que Caxias foi proclamado não só Conselheiro da Paz mas também o Pacificador do Brasil – epíteto perpetuado pelos atos de bravura e triunfo.

Em 1845, Caxias é efetivado no posto de Marechal de Campo e é elevado a Conde, sendo em seguida indicado para Senador do Império pela província do Rio Grande do Sul, que pacificara há pouco, tomando posse em 1847.

Os Conflitos fronteiriços no Rio Grande do Sul levaram Caxias a ser nomeado presidente da província e Comandante-chefe do Exército do Sul, tendo como principal missão preparar e executar a pacificação do Império brasileiro com o Uruguai, missão cumprida com louvor.

Em 1857, assume a presidência do Conselho de Ministros do Império, cargo que voltaria a ocupar em 1861, cumulativamente com o de Ministro da Guerra. Em 1862, foi graduado Marechal do Exército, assumindo novamente a função de Senador no ano de 1863.

Um grande desafio começa em 1865, quando iniciou-se a Campanha da Tríplice Aliança, reunindo Brasil, Argentina e Uruguai contra as Forças paraguaias de Solano Lopez. Em 1866, Caxias é nomeado Comandante-chefe das Forças do Império em operações contra o Paraguai, mesma época em que é efetivado Marechal do Exército.

Cabe destacar que, comprovando as suas elevadas capacidades como líder, Caxias utiliza, pela primeira vez no continente americano, a aerostação (balão) em operações militares, para fazer a vigilância e obter informações sobre a área de operações.

Sua liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó – “Sigam-me os que forem brasileiros”. Caxias só deu por finda sua gloriosa jornada ao ser tomada a cidade de Assunção, capital do Paraguai, em 1º de janeiro de 1869.

Em 1875, pela terceira vez, é nomeado Ministro da Guerra e presidente do Conselho de Ministros. Caxias ainda participaria de fatos marcantes da história do Brasil, como a Questão Religiosa, o afastamento de D. Pedro II e a Regência da Princesa Isabel.

Retirou-se para sua terra natal, a província do Rio de Janeiro, na Fazenda Santa Mônica, na estação ferroviária do “Desengano”, hoje Juparaná, próximo a Vassouras.

Monumento a Caxias – Brasília/DF – Foto: Jorge Quintão

Faleceu no dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, um bravo militar e cidadão; o pacificador. Um decreto do Governo Federal de 13 de março de 1962 imortalizou o nome do invicto Duque de Caxias como o Patrono do Exército Brasileiro. Atualmente seus restos mortais repousam no Panteon a Caxias, construído em frente ao Palácio Duque de Caxias, na cidade do Rio de Janeiro.

IoP Meetings: Ministro de Minas e Energia e a retomada do setor

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Com o intuito de discutir questões fundamentais para a retomada do crescimento econômico do Brasil, reunindo líderes das esferas públicas e privadas e estreitando relações comerciais e possibilidades de investimentos para o país, o Instituto O Pacificador promoveu, no dia 9 de setembro, o IoP Meetings, realizado no Sicepot-MG (Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de MG). Dessa vez, o tema do evento foi “A Retomada – Minas e Energia”.

Após um café da manhã que gerou encontros e articulações entre os participantes, e que contou com a presença de 28 CEOs indianos dispostos a investir no Brasil, o público teve a oportunidade de assistir às explanações do Ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, do vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, do presidente do Instituto O Pacificador, Luiz Fernando Pinto, do CEO do TSX Group, Paulo Eduardo Pinto, e do presidente da Bahia Mineração (BAMIN), Eduardo Ledsham.

Um dos momentos mais esperados do evento foi a fala do ministro para o público, durante quase uma hora. Ele comentou sobre os desafios da pasta, as dificuldades de investimento do Estado e a importância do capital privado ser protagonista no desenvolvimento do setor de Minas e Energia e, consequentemente, no crescimento do Brasil nos próximos anos.

Logo no início da palestra, Almirante Bento Albuquerque, direcionando a mensagem ao vice-governador de Minas Gerais, arrancou aplausos da plateia ao anunciar a desestatização da Eletrobras (empresa S.A. de economia mista cujo controle acionário é do Governo Federal), responsável por 31% da geração e 47% da transmissão de energia elétrica do país.

“A Petrobras deveria investir por ano 15 bilhões de reais para manter esse status da Eletrobras. Mas, hoje, depois de dois anos e meio de muito trabalho no saneamento da empresa, a capacidade de investimento é de 3,5 bilhões. Não é opção desestatizar ou não desestatizar. Ela teria que ter o investimento de 15 bilhões e o Estado brasileiro, dentro de sua participação acionária, teria que colocar lá 9 bilhões de reais. Então, o que a gente vai fazer? Vai deixar a empresa acabar? Se nada for feito, daqui a oito anos a Eletrobras vai passar a ter 7% da geração e 30% da transmissão. Não é isso que a sociedade brasileira espera de governos responsáveis. Portanto, nós temos, sim, que colocar o capital privado que está ávido por poder fazer os investimentos. E é o que vamos fazer muito em breve”, explicou o ministro.

Almirante Bento Albuquerque também ressaltou que, apesar de todas as mazelas, o Brasil tem a tradição de respeitar os contratos e de forma organizada e com governança o leilão será realizado. “Aqui é, sim, um país de oportunidades. Nós somos exemplo para o mundo em termos de matriz energética”, comentou.

“Sobre a energia, nos próximos sete ou oito anos, teremos que crescer 20% em geração e 25% em transmissão, o que vai levar um investimento da ordem de 400 bilhões de reais. Petróleo: vamos ser, sim, um dos cinco maiores produtores já no final da década de 30, com mais 1,8 trilhão de investimento. A mineração, por sua vez, tem um papel importante, pois é base de qualquer industrialização, responsável por mais de 4,4% do nosso PIB, e temos muito a crescer. Essas são as oportunidades que se apresentam”, informou Almirante Bento Albuquerque.

Outro ponto abordado pelo ministro foi o resultado da gestão do Ministério de Minas e Energia nesses nove meses de governo. Segundo ele, 88% das ações que a administração propôs já foram realizadas.

“Eu tive a oportunidade de fazer algumas viagens internacionais, principalmente por causa dos investimentos que teremos nos setores de energia e mineração, e já assinamos acordos de cooperação com Canadá, Estados Unidos, Peru, Argentina, Japão, China e Israel. Então, estamos realmente avançando e percebemos apetites desses parceiros em realizarem investimentos no Brasil”.

Ideias Liberais

A palestra do vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, também foi um dos momentos mais esperados do evento. Com uma mensagem direta e firme, o economista, engenheiro, professor e político foi aplaudido diversas vezes ao defender o liberalismo, a liberdade do cidadão e um Brasil como um país republicano.

Numa das primeiras falas, Paulo Brant comentou sobre a importância de apaziguar os ânimos políticos tão aflorados nos últimos anos. “Precisamos pacificar o país. Menos convicção e mais ideias”, afirmou. E completou: “Não há caminho para gerar crescimento econômico e justiça social se não for pelo liberalismo. Precisamos construir isso politicamente”, disse o vice-governador, reconhecendo que a sociedade brasileira necessita ser convencida de que o liberalismo é o melhor caminho para a prosperidade e a liberdade do povo.

Outro tema abordado por ele foi a reforma tributária. Paulo Brant explicou que está sendo feito todo o esforço de articulação política para que ocorram mudanças na questão da tributação, com o objetivo de facilitar a possibilidade de investimento no país. “A nossa legislação tributária é péssima. Ela inibe o crescimento. Por isso já existem três modelos de reforma tributária no Senado e na Câmara dos Deputados. E estamos fazendo tudo para melhorar essa estrutura, atrair investimentos e melhorar o ambiente de negócios”, ressaltou.

Mineração

A presença do presidente da Bahia Mineração (BAMIN), Eduardo Ledsham, foi importante para discutir o papel da mineração na economia do país e do estado de Minas Gerais, uma vez que, devido aos rompimentos das barragens de Bento Rodrigues e Brumadinho, desastres ambientais recentes, as empresas precisam resgatar a credibilidade e a confiança da sociedade.

“A tragédia de Brumadinho foi uma espécie de 11 de setembro para o setor. Todos nós tivemos que rever procedimentos e ter uma linguagem clara e transparente para a sociedade, mostrando o quanto seguro é a mineração. Tudo que está ao nosso redor tem relação com a mineração. Então, hoje, não faz sentido discutir a mineração. Necessitamos discutir é a forma de implementá-la de maneira mais sustentável”, afirmou.

Além disso, Eduardo Ledsham ressaltou que a mineração e a infraestrutura precisam andar juntas, pois a infraestrutura é a maior alavanca de desenvolvimento para a mineração. “A infraestrutura depende de carga e a mineração consegue colocar um volume sustentável com perenidade”.

Instituto O Pacificador

Realizando uma espécie de mediação e promovendo o debate sobre o tema “A Retomada – Minas e Energia”, o Instituto O Pacificador foi representado pelo presidente Luiz Fernando Pinto, que discursou sobre a missão da instituição: “O Instituto O Pacificador foi criado exatamente para o propósito de celebrarmos este momento. Como sempre, disse o nosso querido vice-governador, Paulo Brant, um dos grandes idealizadores e sócio-fundador do Instituto, que a sociedade brasileira, hoje, carece de sinapses. E fundamentalmente é necessário que se promova essas sinapses para o encontro de boas ideias, de maneira a potencializar-se o desenvolvimento do nosso país. Como think tanks que somos, entendemos que este é justamente um dos principais propósitos do nosso Instituto: provocar as sinapses de forma a qualificarmos os conceitos e progredirmos em nossos maiores objetivos, da defesa da paz, da vida, da liberdade e da prosperidade. E é justamente isso que buscamos fazer aqui hoje”.

Paulo Eduardo Pinto, CEO do Grupo TSX, completou: “Acreditamos na relação republicana entre os setores público e privado sem a qual, está provado, que é impossível construir uma nação sólida e de sucesso. A cada dia que passa, os líderes de grandes empresas adotam agendas e objetivos mais parecidos e convergentes aos objetivos das lideranças públicas em razão da capilaridade das consequências de suas ações. Tudo isso associada à sustentabilidade de desenvolvimento”.

Reportagem: Daniel Helvécio – Instituto O Pacificador.

Galeria de Fotos

Dispositivos digitais abrem novas possibilidades na saúde

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Durante 16 meses, um sistema vai monitorar a quantidade de oxigênio ministrada a pacientes de enfisema pulmonar. Com a inserção dos sensores, os dados sobre o volume de oxigênio serão transmitidos a uma base de dados. Profissionais de saúde poderão monitorar a situação dos pacientes, verificando se há falta ou superdosagem de gás. Para os pacientes em cuidado domiciliar, a tecnologia também vai informar a necessidade de troca dos cilindros de oxigênio.

Após o teste, os pesquisadores devem fazer uma avaliação da eficácia do sistema, das possibilidades de fabricação e da viabilidade econômica de um eventual lançamento do produto no mercado. Os pesquisadores cogitam também outras aplicações como o controle de outros gases ou fluidos. O projeto será conduzido pelo centro de pesquisa CESAR, com sede em Recife em parceria com a Startup Salvus e com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Este é um dos exemplos de iniciativas que surge no país com o emprego de tecnologias digitais que vêm sendo chamadas de Internet das Coisas (IdC ou IoT, sigla em inglês). Assim como nos centros urbanos e no campo, a tecnologia vem provocando mudanças nas formas de prevenção e tratamento de doenças, bem como na promoção da segurança e qualidade de vida.

Segundo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as aplicações de IdC podem contribuir para responder a diversos desafios relacionados à área, da atenção básica à alta complexidade.

No combate a doenças crônicas e infectocontagiosas, esses equipamentos podem ser empregados para o monitoramento remoto de pacientes, auxílio à identificação e controle de epidemias e diagnósticos descentralizados. Neste último exemplo, inovações viabilizam a realização de exames sem a necessidade de enviar amostras para laboratórios, permitindo maior agilidade em decisões do tratamento, especialmente em locais remotos.

Na promoção da qualidade de vida, o relatório lista soluções já em implantação no mercado, como monitoramento do condicionamento por meio de aparelhos como pulseiras, relógios e lentes de contato. Para assistência a pessoas mais velhas, pequenos sensores podem alertar quem faz o monitoramento em caso de queda.

No que o texto chama de eficiência de gestão, projetos de IdC podem realizar manutenção preditiva, identificando o desenvolvimento de um equipamento e adiantando-se no encaminhamento de reparos ou de reposição de insumos com antecedência evitando descontinuidade. Com isso, é possível, por exemplo, uma gestão mais eficiente de medicamentos, diminuindo desperdícios.

Um sistema denominado “geladeira inteligente de vacinas” (vaccine smart fridge), de uma empresa nos Estados Unidos, possibilita o acompanhamento em tempo real da temperatura, o que contribui para evitar dano às doses. Além disso, com a tecnologia, o controle do estoque pode ser realizado em tempo real em qualquer lugar do mundo, facilitando a gestão das doses.

Monitorando pacientes e trabalhadores

A empresa brasileira Carenet é uma das firmas ofertando serviços de IdC na área de saúde. Ela trabalha em diversas atividades relacionadas ao tema. Segundo o diretor da firma, Fernando Paiva, o sistema integra todo tipo de dado vital do paciente em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), analisa as condições da pessoa monitorada e gera alertas aos profissionais envolvidos na assistência.

“Temos bomba de nutrição, ventilador, cama, vários equipamentos emitindo dados. Isso vai para a plataforma, é transformado em painel e essas informações ficam disponibilizadas em tempo real. Em cada tipo de patologia ou problema, uma febre que subiu, alteração nos batimentos cardíacos, é gerado alerta automático por WhatsApp para o médico ou enfermeiro”, relata.

Uma das vantagens é evitar o risco de erro humano na coleta dos dados, o que pode induzir a diagnósticos errados. Outra é a aplicação de inteligência artificial para cruzamento de dados e análises preditivas, que auxiliam na formulação de diagnósticos ou acompanhamento da evolução do quadro de saúde. Paiva acrescenta que a tecnologia também facilita a rastreabilidade, registrando não apenas dados do paciente, mas também das operações dos profissionais.

Uma das soluções vendidas pela empresa é o monitoramento à distância de motoristas de veículos. Por meio de equipamentos que captam ondas cerebrais é possível verificar alterações da condição do indivíduo, como sonolência ou até mesmo o uso de substâncias entorpecentes.

“Tem alguns metaizinhos imperceptíveis dentro de um boné. Você faz análise do que está acontecendo no comportamento cerebral. Sei se a pessoa está entrando em estágio de sono, se ela usou droga, se ela usou substância que faz com que padrão seja alterado. Com o produto posso medir ritmo cardíaco”, relata o diretor da empresa. O serviço já está sendo disponibilizado a empresas da Espanha.

Este tipo de serviço de controle dos trabalhadores à distância também está sendo utilizado por clubes de futebol para monitorar os corpos de seus jogadores. “O sujeito [atleta] vale R$ 2 milhões. Quando ele vai pra casa ninguém sabe o que acontece com ele mais. O time quer acompanhar o que está ocorrendo com o corpo durante seis horas por dia. E sabe que horário este cara abusa mais do corpo dele”, diz Paiva.

Dados sensíveis

O advogado e autor de livros sobre o tema Eduardo Magrani disse que na saúde, os dados sendo coletados e compartilhados são considerados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aprovada em 2018 e com entrada em vigor prevista para agosto de 2020. As informações sobre a saúde de uma pessoa são enquadradas nesta categoria e seu tratamento passará a obedecer a regras diferentes dos demais registros. Conforme a LGPD, o processamento de dados do paciente só ocorrerá se o usuário consentir de forma específica e destacada para as finalidades preestabelecidas. Sem essa autorização, ainda assim, é permitido o tratamento para tutela de saúde.

Uma alteração na lei aprovada neste ano permitiu a “comunicação ou uso compartilhado de dados pessoais referentes à saúde com o objetivo de obter vantagem econômica” no caso da prestação de serviços de saúde e assistência farmacêutica. A nova lei só vedou o tratamento por operadoras de planos de saúde para a “prática de seleção de riscos na contratação de qualquer modalidade”.

Magrani defende um cuidado especial com essas informações. “Muitas clínicas e hospitais não dão a devida atenção a esses dados, que podem ser usados para manipular cidadão e influenciar o custo do plano de saúde”, disse. Para o advogado, não apenas a proteção de dados – como o respeito a preceitos éticos – precisam estar presentes desde o desenvolvimento dessas tecnologias, o que se aplica também aos dispositivos utilizados em soluções para saúde.

Roupas ou acessórios

O centro de pesquisa Instituto Igarapé também advoga por esses critérios, que chama de “privacidade e segurança por concepção”. A elaboração de aparelhos e aplicações, como os sensores e vestíveis (roupas ou acessórios que podem ser conectados à internet) deveriam reduzir ao máximo a coleta de dados e garantir a segurança necessária para evitar qualquer tipo de acesso indevido aos dados coletados.

Para o médico e pesquisador em saúde coletiva Giliate Coelho Neto, com a ampliação massiva de dados de saúde coletados e tratados, há um risco de abusos por operadoras em razão de flexibilidade dada pela LGPD e se não houver fiscalização para impedir que informações sensíveis como estas sejam utilizadas para prejudicar pacientes.

“Não existe um controle rígido deste compartilhamento de dados entre empresas ou mesmo dentro de um mesmo conglomerado, como já há no Brasil quem ofereça plano e seguro de saúde. Se você sabe que paciente já fez duas cirurgias e a pressão [arterial] vem dando alta, a empresa pode negar um seguro de vida. Já há indícios de que isso vem ocorrendo”, aponta Neto. Ele considera que para evitar problemas seria adequada a aprovação de uma regulamentação específica.

Fonte: Agência Brasil

IoP Meetings – 2019

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Instituto O Pacificador” traz o Ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, para apresentar o potencial do país para investimentos no setor energético.

No dia 09 de setembro, líderes das esferas públicas e privadas se reuniram em Belo Horizonte (MG), na sede do Sicepot, para o evento “IOP Meetings”. O nome é uma referência ao Instituto O Pacificador, think tank lançado em abril desse ano.

Em mais uma edição, o evento contou com a presença de empresários e executivos que debateram questões econômicas e políticas do Brasil.

O Ministro de Minas e Energia, almirante-de-esquadra Bento Albuquerque apresentou, em palestra, o potencial do país para investimentos no setor energético.

Paulo Eduardo Pinto, CEO da TSX, empresa organizadora do evento, reforça a importância da promoção contínua de uma melhor qualificação do ambiente de negócios no País. “O tema dessa edição foi A Retomada – Minas e Energia’. Foi uma excelente oportunidade para discutirmos de forma transparente sobre o futuro do País e as perspectivas positivas relacionadas ao Planejamento e Desenvolvimento da Mineração e da Transformação Mineral, Gás Natural, Petróleo e Energia Renovável”, revela.

Instituto O Pacificador – IOP

O “Instituto O Pacificador”, idealizado como uma Escola de Pensamento, é uma organização independente, sem fins lucrativos, apartidária e envolvida na promoção de ideias que consolidem parte do pensamento político moderno. Segundo Luiz Fernando Pinto, presidente do IOP, “O Instituto é uma associação que busca a defesa da vida, da paz e da liberdade como garantia para uma prosperidade sustentável em todas as esferas do conhecimento humano, alcançando, por meio de uma linguagem acessível e virtuosa, salvaguardar o que é, realmente, o conceito de política na sociedade”, diz.

Lançado em abril deste ano, com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o “Instituto O Pacificador” conta, entre seus associados, com o general Eduardo Villas-Bôas e o vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant.

Palestras

O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, apresentou as perspectivas dos setores de sua pasta e, ao longo da programação, o vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, também abordou o tema relativo ao momento político do Brasil e a importância de um think tank como o Instituto O Pacificador nesse contexto.

TSX Meetings – Paulo Brant

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Evento: TSX Meetings/Abril 2019

Resumo: O Vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, fala sobre o protagonismo empresarial na política, como uma atitude cívica.

O Instituto O Pacificador é uma Think Tank dedicada à diligência de políticas de paz, liberdade e de governos efetivos e limitados, tendo como objeto a inovação política reformadora, as descobertas intelectuais e o combate à concentração do poder.

Criando uma startup: dicas e alertas de especialistas na área

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O termo em inglês startup passou a ganhar visibilidade com a emergência de diversas empresas de tecnologia com exemplos de crescimento e transformação em grandes negócios. Em diversos casos, essas firmas começaram como startup e obtiveram alcance global, deixando esta designação, como é o caso de grandes plataformas digitais como Facebook, Google e Uber. O termo designa empresas com uma forte base tecnológica, que inovam, seja em seus modelos de negócio ou no serviço que ofertam a consumidores.

Startup em números Brasil – Arte EBC

Apesar do nome ser vinculado a tecnologia, essas companhias atuam nos mais diversos campos, da agricultura ao mercado financeiro, passando pela educação e pela mobilidade urbana. Mas até que ponto as startups são uma alternativa para pessoas que querem empreender? A Agência Brasil conversou com especialistas e autoridades envolvidas no ecossistema desses negócios para colher dicas, recomendações e alertas.

Assim como pode ser uma alternativa interessante, as startups também têm diversos obstáculos e os caminhos até o êxito e o estabelecimento no mercado são tortuosos. Segundo os especialistas consultados pela reportagem, quem cogita adentrar esse mundo deve fazê-lo sem ingenuidade ou crença de que apenas uma ideia brilhante será suficiente para colocar em movimento um negócio bem sucedido.

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups, (ABStartups), o Brasil possui mais de 13 mil startups distribuídas em 588 cidades, sendo 60% na região Sudeste. Essas são conduzidas por 10,1 mil empreendedores organizados em 74 “comunidades”. Conforme o levantamento Radiografia do Ecossistema Brasileiro de Startups, elaborado pela ABStartups em parceria com a consultoria Accenture, 42% têm até dois anos e 69% não ultrapassam R$ 50 mil de faturamento. Deste universo, 63% das firmas têm até cinco pessoas e 49% são compostas pelos sócios somente. Do total, 77% atuam voltadas ao mercado corporativo.

Definindo a ideia

A analista de inovação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Natália Bertussi destaca que no começo é fundamental a definição de qual problema o indivíduo ou grupo pretende resolver. “Uma vez que ela saiba isso, aí ela poderá pensar na solução mais adequada para resolver esse problema. Pode ser algo relacionado a alguma ‘dor’ que ela viveu, a um problema em sua cidade, um problema de determinado grupo da sociedade, etc”, explica.

Para o fundador da aceleradora de negócios 100 Open Startups, nesta fase inicial o interessado deve conseguir responder três perguntas: “quem sou eu, o que eu sei fazer e quem eu conheço?”. Ele chama a atenção de que mais do que uma ideia brilhante, é fundamental a pessoa entender que tipo de empreendedor ela é, o que ela consegue realizar e que rede ela consegue mobilizar, de fornecedores a consumidores. A partir daí, ele vai executando as ações e identificando os próximos desafios.

Formatando o negócio

Ao formular uma solução para um problema, o empreendedor precisa pensá-la como negócio, incluindo qual será o seu modelo, de que maneira vai comercializar o serviço ou produto, como e quem será remunerado na rede a ser formada e de que modo vai poder arcar com os custos de montagem e sustentação da firma.

O coordenador da incubadora do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet RJ), Marcelo Alencar, alerta que um erro comum é o fato dessa dimensão não ser considerada desde o início. Uma vez que se trata de comercializar um bem ou serviço, a dimensão do modelo de negócios deve estar presente já desde a concepção. Um dos fatores que reforça esse problema é a ausência de conhecimento pelos empreendedores na área de gestão de empreendimentos.

“O primeiro embate é justamente como eu aplico meu conhecimento de forma que isso vire um negócio. O desafio seguinte é justamente vender. Quando se fala em comercializar, o jovem simplesmente não quer ouvir. Esse entrave se alonga em todo o desenvolvimento. Quando ele chega no final quando tem produto, ele tem a dificuldade de vender”, alerta.

O coordenador-geral de inovação do Ministério da Economia, Rafael Vandrei, ressalta que outro cuidado na hora da formatação do mercado é a pesquisa sobre o mercado onde pretende entrar e as startups já funcionando. Uma das formas é buscar as bases já construídas sobre o ecossistema brasileiro, como os levantamentos da ABStartups (conheça as estatísticas e os estudos aqui – https://abstartups.com.br/pesquisas/).

“É muito importante que as pessoas interessadas em começar conheçam seus concorrentes. No início tem um número alto de casos em que a pessoa acordou com ideia e acha que só ela que formulou essa solução e vai fazer sucesso. Uma pesquisa não só no Brasil como fora pode poupar tempo para ele não investir se tem concorrente já atuando na área”, recomenda Vandrei.

Outra parte importante no estágio de formatação do negócio é a definição do público-alvo, ou o conjunto de pessoas, empresas, instituições e organizações com interesse potencial na solução proposta pelo empreendedor. “Você saber para quem você vai vender. A startup inicial ele escolher pra quem vai vender. Porque você pode ter boa ideia e direcionar teu esforço pro público errado”, pontua Marcelo Alencar.

Que problema o negócio vai resolver?

Qual o modelo de negócio?

Qual o público a ser atendido?

Montando a equipe

Um outro momento fundamental é a montagem da equipe que irá trabalhar naquela companhia. Como apontado anteriormente, um percentual importante das startups tem sua força-de-trabalho composta dos próprios sócios.

O coordenador-geral de inovação do Ministério da Economia avalia ser importante ter no grupo responsável pela empreitada pessoas com formações e habilidades diversas de modo a fortalecer as competências da equipe e sua capacidade de dar conta dos desafios relacionados ao negócio.

“As startups de sucesso contam com uma pessoa ligada à área de tecnologia, mas necessariamente precisa haver uma multiplicidade de competências. Isso incluiria, por exemplo, alguém da área de gestão. Não vai só fazer a parte técnica, mas gerir a sua empresa e vender os serviços ofertados por ela. Essas competências são complementares”, frisou.

Marcelo Alencar, da incubadora do Cefet RJ, reforça a importância desta cautela. Segundo ele, muitas vezes não há na equipe alguém que pense no negócio, no dinheiro. “E isso causa outro problema, a pessoa idolatrar o produto que tem nas mãos, que se vende, que não precisa ter estratégia de vendas. Aquilo dali vai se vender sozinho, sem ter uma estratégia de negócio”, avalia.

Investimentos

Arte EBC

Uma forma de potencializar o negócio é a procura por investimentos. De acordo com a analista de inovação do Sebrae Natália Bertussi, há diversas alternativas disponíveis, que precisam ser pensadas pelos responsáveis pela startup de acordo com as especificidades da sua empresa e do cenário onde estão inseridos. “Não existe um modelo ideal. A melhor opção depende do tipo de negócio, do mercado de atuação etc”, pondera.

Dentre as principais alternativas ela cita o Bootstrapping (financiamento com recursos próprios dos sócios), Money Love (que são principalmente amigos e familiares), Investidores Anjo (focado para startups pequenas e que precisam não apenas de recursos, mas de conexões e conselhos), crowdfunding (onde os recursos têm origem em pessoas físicas e são captados de forma coletiva) e o Venture Capital (geralmente investimentos maiores, em empresas um pouco mais maduras, com uma participação mais ativa do investidor).

Há, ainda, a possibilidade de buscar financiamento de Aceleradoras. “Aqui investe-se um valor, em troca de uma parte da empresa ainda em estágio inicial, apostando no crescimento rápido desta empresa. Além do investimento financeiro, também se dá um apoio de orientação mais ativa para facilitar esse crescimento”, acrescenta Bertussi.

Bruno Rondani observa que não adianta buscar investimentos se a pessoa não tiver recurso próprio e não fez nada. “Primeiro passo é fazer algo que possa ser demonstrado e aí atrair algum recurso. Este pequeno passo pode ser pequeno, questão de meses. Ele mostra que consegue criar impacto. Mobilizou pessoas, ou vendeu determinado produto ou serviço. A partir deste passo ele consegue algum tipo de aporte de entidade desconhecida”, sugere.

Programas

Não somente no caso do investimento, mas na formação, aconselhamento e facilitação de conexões há programas disponíveis para quem deseja buscar apoio com vistas a alavancar seu negócio. O Sebrae desenvolve uma série de iniciativas. As incubadoras e aceleradoras também são espaços importantes de equipes com experiência e que podem orientar interessados, desenvolvendo sugestões e alertas focados especificamente no negócio que o grupo quer desenvolver.

No plano federal, há também iniciativas. Uma delas se chama Inovativa, sob responsabilidade do Ministério da Economia. Conforme Rafael Vandrei, ela é centrada em capacitação e orientações, chamadas de “mentorias”, e em formas de conexão entre as startups e possíveis investidores ou compradores.

“A gente capacita elas em três meses. E temos bancas com investidores. Oferecemos oportunidades em que se a startup ficasse na sua cidade ela jamais teria apresentado a determinados investidores”, assinala. Mais de duas mil startups passaram pelo programa, e 926 foram apresentadas para investidores.

Outro programa é chamado Startout, voltado a empresas mais maduras e com intuito de se colocar no mercado internacional. Uma determinada quantidade de empreendedores é preparada e levada em missões em diferentes países para conhecer o ecossistema daquela nação e conversar com investidores.

“A gente capacita previamente. A partir daí também são colocados mentores locais, que conversam à distância sobre como é o ambiente de negócios lá. As empresas são preparadas sobre como se apresentar. As startups indicam se têm interesse em conversar com investidores e parceiros. Profissionais do programa fazem essa ligação, reuniões com investidores, espaços de inovação, aceleradoras para ver oportunidades de negócio”, relata.

De acordo com o representante do Ministério da Economia, o governo federal deve lançar um novo programa, que será chamado “Centelha”. O objetivo dele, acrescenta Vandrei, será atuar com empresas mais iniciantes. “Ele vai pegar pessoas saindo da universidade. Antes de pensar num Trabalho de Conclusão de Curso, vai incentivar a pensar num projeto de startup”, conta.

Obstáculos

Os especialistas ouvidos pela Agência Brasil ressaltaram que em cada etapa há diversos obstáculos. Um relatório da consultoria McKinsey sobre a economia digital no Brasil, divulgado em 2019, apontou um índice alto de empreendimentos que não conseguem se manter no mercado: 66%.

Segundo o levantamento, as maiores dificuldades relatadas por startups ouvidas foram o engajamento dos consumidores (23%), marketing (13%), precificação e obtenção de receitas (11%), obtenção de financiamento (11%) e construção da tecnologia (9%).

Para Bruno Rondani, o sucesso na criação e crescimento de startups é “muito difícil”, o que é reforçado pelas estatísticas. Isso, contudo, não significa que a tentativa de empreender seja um caminho equivocado. Na opinião do fundador da 100 Open Startups, iniciativas deste tipo são saudáveis se encaradas como parte de um processo mais longo.

“O ato de empreender é bem-sucedido se a pessoa aprende e se desenvolve profissionalmente. O que é comum é a pessoa depois do ato de empreender sair melhor se ela tiver cabeça boa. Com isso ela pode inclusive conseguir montar um segundo empreendimento no futuro com mais conexões, com mais acesso a capital”, diz.

Fonte: Agência Brasil

Instituto O Pacificador participa de homenagem ao General Villas Bôas

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Uma sessão plenária especial aconteceu, no Senado Federal, em homenagem ao general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, que atuou como Comandante do Exército Brasileiro, entre 2015 e janeiro de 2019.

Como sócio benemérito do Instituto O Pacificador, o general, que hoje atua como assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto, ingressou no Exército em 1967, exerceu funções importantes ao longo de seus 50 anos de carreira militar e foi agraciado com 14 condecorações nacionais.

Em 7 de janeiro de 2015, o General Villas Bôas foi escolhido para assumir o cargo de Comandante do Exército Brasileiro, tomando posse em 5 de fevereiro de 2015, estabelecendo uma honrosa dinâmica impregnada de respeito à vida, liberdade e moral. Desde então mostrou que é um homem de consenso e de conversa, mas especialmente de atitudes fortes. Com seu perfil comunicativo e bem articulado, faz uso das redes sociais para expressar posições decisivas sobre nosso país.

Foto: Luiz Fernando Pinto/Instituto O Pacificador

O General é a voz do que somos e do que podemos vir a ser como país e como cidadãos que buscam a vida, a paz, a liberdade e a prosperidade. Não nos enganemos com a sua atual fragilidade física, exposta por uma doença degenerativa, uma vez que esses fatores não diminuem o seu tamanho e papel nessa busca.

Segundo o senador Chico Rodrigues, é necessário homenagear o general e o denomina como último herói vivo brasileiro.

“É por seu belíssimo trabalho e contribuição de uma vida à nação e às famílias brasileiras e por considerar que deve-se ao general Eduardo Villas Bôas, na qualidade de comandante do Exército de nossa nação, a preservação da democracia brasileira, que apresento este requerimento de realização de uma sessão especial solene a fim de fazer uma homenagem em vida ao nosso querido general Eduardo Villas Bôas”, explica o senador.

Assista a íntegra da homenagem:

Manifestação Inicial do Instituto O Pacificador

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Independente, sem fins lucrativos e apartidária, nossa instituição é um centro dedicado à diligência de politicas de paz, liberdade e de governos efetivos e limitados, tendo como objeto a inovação política reformadora, as descobertas intelectuais e o combate à concentração do poder.

Nosso propósito maior é o de defender a importância de mercados livres e de sociedades livres. Nossas principais forças residem no núcleo de nossos pensadores com a produção trabalhos afetos aos principais desafios políticos, enfrentados pela nação e pelo mundo.

Este grupo tem a formação baseada na multidisciplinaridade de seus membros ou convidados, sejam cientistas políticos, sociais ou de causas naturais e pessoas de pensamento reflexivo sobre temas como educação, saúde, segurança social, história, economia, comércio, energia, direito, gestão pública, relações internacionais e politica. sempre visando ideias que promovam “mercados livres” e “sociedades livres” e que acarretem a diminuição da pobreza e o aumento da paz.

Grande parte de nosso trabalho consiste ou será dedicado a ensinar estudantes e o público em geral sobre porque os mercados livres funcionam para todos, especialmente para os pobres, de modo que no longo prazo o clima intelectual e cognitivo seja mais propício às causas do conservadorismo e do liberalismo clássicos.

Para uma reforma duradoura e exitosa precisamos criar um ambiente no qual até o político ou o agente público mais egoístas se beneficiem ao defenderem mercados e pessoas livres.

Nosso lema é sempre a apresentação de ideias políticas razoáveis e reformadoras para os problemas sociais e nossas prioridades políticas se basearão na criação de modelos que visem evitar crises e melhorar os padrões de vida da sociedade.

Razão contínua de nossos estudos:
• Impostos baixos, simples e planos;
• Liberdade de comércio com o mundo;
• Mudanças tecnológicas e demográficas;
• Desafios do processo democrático;
• Relevância da produtividade.

Nossa instituição visa sempre o foco em políticas públicas de valorização da paz e da liberdade e no privilégio de um sistema onde a União não deverá empreender nenhuma ação governamental, social ou econômica, exceto quando o governo local ou o povo não puderem realizá-las por conta própria.

Políticas econômicas, defesa estratégica, políticas de saúde e bem-estar social devem sempre e, na medida do possível, serem revisadas, reconsideradas e reformadas.

Com o foco atento às questões mais importantes do nosso tempo, trabalharemos sempre voltados a promover a vida, a paz, a prosperidade e as boas fundações do nosso país (valores e cultura).

Estaremos em todo o tempo atentos às principais demandas a serem atendidas por nossa sociedade:
• Quais são os pressupostos para a paz ?
• Como sociedades livres se governam de maneira a evitar conflitos ?
• O que queremos ser, aspirar e fazer ?
• Como devemos espalhar a nossa mensagem ao público e aos decisores políticos em toda a Federação?
• Enfim, como formular políticas públicas que iluminem o caminho para a prosperidade e para a paz no Brasil ?

Ronald Reagan disse certa vez:
“A liberdade é frágil, e nunca está a mais de uma geração de extinção, não é nossa por herança e sim por esforço e deve ser defendida constantemente por cada geração”.

Defender a paz e a liberdade é uma tarefa que nossa instituição levará muito a sério.

Luiz Fernando Pinto – Presidente do Instituto O Pacificador

 

Liberdade – Um Pilar Histórico

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Foto: Denis Pan/Unsplash

Ao Longo da história temos muitos exemplos de povos que ao compreenderem o valor da liberdade, empenharam esforços para garantir e disseminar esse valor a todos os indivíduos de sua sociedade. Compreender que a Liberdade não é um direito de grupo previamente estabelecido mas sim que ela vale para cada individuo singularmente e que se isso for conquistado, então teremos uma sociedade robusta e capaz de gerar prosperidade.

Mesmo quando o homem age em grupo, sociedade ou país, é a liberdade de cada um, a condição para liberdade de todos. Edmund Burke em 1774 na obra Reflexões Sobre a Revolução Francesa já afirmava no parlamento que “…dar opinião é direito de todos os homens, respeitado aquilo que prescreve a constituição composta por todos…”. Se meu vizinho, sem violar a constituição (responsabilidade com o todo) for impedido de ter a propriedade de suas realizações então não vivemos propriamente no estado de direito.

Nos últimos séculos, por ser a liberdade uma das verdades que sustentaram a construção de todas as sociedades prosperas, e isso se deveu por esforços constantes, tivemos como consequência a real melhora de vida de muitos. Mas nem todas as sociedades “alcançam a superfície”, pois na ausência da liberdade continuam imersas nas sombras da história e no longo prazo não sustentam uma sociedade engenhosa.

Em 1875 o jurista inglês Henry J. S. Maine mostrou a em seu livro Governo Popular – Quatro Ensaios, como a propriedade está na base histórica das liberdades individuais não podendo estas serem desentrelaçadas da base de uma sociedade prospera que lidera o desenvolvimento de conhecimento e capacidades econômico-sociais.

Na geopolítica do século XX, se observarmos atentamente as ações dos EUA desde o fim da primeira guerra mundial, podemos com total segurança dizer que o “estado” americano entendeu o papel de um líder global e teve sucesso na sua estratégia. Os EUA decidiram de forma clara e inequívoca participar ativamente da construção e da administração de regimes locais (países que aceitaram sua ajuda) que surgiram mundo afora e também algumas potências tradicionais compreenderam que essa participação ativa dos EUA era benéfica para todos. Com efeito, após a segunda guerra mundial as potências europeias tradicionais e o Japão passaram a entender que os regimes nascentes, sob a liderança dos EUA, não ameaçavam seus interesses, mas pelo contrário, eram benéficos aos seus objetivos de paz e de reconstrução de suas economias. Vejam a recuperação do Japão, a criação da Zona do Euro, o surgimento dos tigres asiáticos em especial a Coreia do Sul, a prosperidade da Austrália e Canadá e dois outros fatores decisivos, a força e segurança que temos a 80 anos do dólar na economia mundial e a expansão da tecnologia e inovação baseados na curva de prosperidade STEM (Science, Technology, Engineering e Mathematics) que hoje vivemos em todo o globo com decisiva participação da sociedade americana e seus empreendedores. Você goste ou não dos EUA, já foi apresentado aos fatos históricos da Guerra Fria que gerou uma forte polarização EUA-URSS por décadas. No entendimento dos estrategistas Soviéticos, o melhor caminho era aumentar a polarização e a rivalidade aos americanos usando atores menores como Cuba e Coreia do Norte. Os resultados você conhece bem. Mas um importantíssimo aprendizado a URSS deixou como legado e que agora deve ser entendido no contexto de uma China que emerge como candidata a liderar o mundo. Interessante é que esse legado a China de XI Jinping não poderá fingir que desconhece. Ao “edificar” a famosa cortina de ferro, isolando-se, a URSS achou que se desenvolveria (de forma estatal) a ponto de expandir seu domínio sobre grande parte do globo. Seria estrategicamente esperar que um cubo de gelo atirado num balde d’água congelasse toda a água do balde. Ocorreu o contrário e uma fragmentação em cadeia desmoronou toda a URSS no final da década de 80. Putin hoje rebola para salvar a Rússia no contexto europeu e mundial e o crescimento da China além de drenar suas forças, estabeleceu um novo polo de riqueza e dinamismo na Ásia com capacidade a cada dia de criar uma nova polarização com os EUA nos vários mercados globais. Se olharmos para trás, de fato a pragmática integração da China à economia mundial iniciada por Deng Xiaoping aponta para uma direção bem diferente da estratégia Russa do cubo de gelo. Mas o totalitarismo (partido único) e ausência de liberdade (poder estatal absoluto) talvez seja a grande questão posta diante de Xi Jinping que é sabedor dos acontecimentos decorrentes do colapso na antiga URSS, fruto do estatismo exacerbado. Não sabemos até que ponto uma China próspera e integrada à economia e à política mundial pode ser compatível com um Estado fechado e autoritário e em querendo liderar o mundo terá que por exemplo ajudar humanitariamente outros países. Será que existe um outro tipo de democracia na manga do Sr. XI Jinping ? Quem viver verá…

Virgilio Álvares da Silva
Associado do Instituto O Pacificador