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Laboratórios da Embrapa e da Fiocruz passam a diagnosticar a covid-19

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Os laboratórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foram incluídos na rede de análise para o diagnóstico do novo coronavírus (covid-19).  A decisão é da diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a Agência, o objetivo da medida é ampliar a capacidade laboratorial pública nacional para o diagnóstico da doença, diante da atual emergência em saúde pública provocada pela covid-19. “Os laboratórios da Embrapa e da Fiocruz reúnem alta capacidade analítica e proficiência em diversos métodos e diagnósticos”, destaca a Anvisa.

De acordo com o diretor-presidente substituto e relator da proposta, Antonio Barra Torres, a inclusão dos laboratórios “contribui favoravelmente para a ampliação da capacidade analítica de diagnóstico da covid-19”.

A resolução está publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (13) e ficará vigente enquanto o Ministério da Saúde mantiver a emergência relacionada à pandemia do novo coronavírus.

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Cada semana de isolamento gera perda de R$ 20 bi para setor produtivo

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O impacto imediato diante das paralisações da produção e isolamento social devido à pandemia de covid-19 devem gerar perdas de faturamento das empresas de R$ 20 bilhões, por semana. A conclusão é da Nota Informativa – Impactos Econômicos da Covid-19, divulgada hoje (13) pelo Ministério da Economia. O levantamento foi feito com base em informações para os 128 produtos da Tabela de Recursos e Usos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na nota, o ministério diz que “considerando o cenário de retomada cíclica até o segundo trimestre de 2021, reduções estruturais no nível do PIB [Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas produzidas no país] de longo prazo de 5%, em comparação com o cenário de nenhum impacto no longo prazo, reduzirão o PIB semanalmente em quase R$ 5 bilhões no segundo semestre e em R$ 7,5 bilhões em 2021. Esses valores tendem a ser muito piores caso consideremos um período de paralisação maior que até 31 de maio”.

Além da perda imediata de R$ 20 bilhões por semana, o ministério diz que os custos envolvidos no isolamento devem ser muito maiores que este, uma vez que quanto mais tempo permanecer o regime de isolamento social maior será a perda de arrecadação das empresas. E com isso, “maior o endividamento, promovendo um número crescente de falências e destruição de postos de trabalho”.

“O mesmo efeito ocorre sobre o endividamento público, que tem gastos majorados e redução nas arrecadações. Assim, os canais de impacto da crise que afetam o médio e o longo prazo são amplificados por períodos maiores de isolamento social”, diz a nota.

“Os custos da crise e das paralisações são de tal magnitude que mesmo com uma recuperação rápida em “V”, e sem nenhum custo de longo prazo, não seria capaz de impedir um crescimento negativo em 2020. Pior que isso será o provável deslocamento da trajetória de longo prazo, configurando um custo permanente em termos de produto, emprego e bem-estar social”, acrescenta o ministério.

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Coronavírus já circulava no Brasil em fevereiro, estima pesquisa

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O novo coronavírus já circulava no Brasil na primeira semana de fevereiro, antes mesmo de ter sido confirmado o primeiro caso vindo do exterior, estima uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Segundo o estudo, a transmissão comunitária do vírus começou por volta de 4 de fevereiro, ao menos 20 dias antes de o primeiro caso ter sido diagnosticado em um viajante que chegou da Itália, em 26 de fevereiro.

A pesquisa indica que a circulação do Sars-CoV-2 já ocorria no Brasil quase 40 dias antes da transmissão comunitária ter sido confirmada em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 13 de março. Como a chegada do vírus precede a transmissão comunitária, os dados indicam que sua introdução no Brasil se deu no fim de janeiro.

Os pesquisadores também analisaram dados internacionais, e sua metodologia confirmou outros estudos que apontam o início da transmissão comunitária na Europa entre meados de janeiro e o início de fevereiro. Em Nova York, epicentro da covid-19 nos Estados Unidos, a transmissão comunitária teria começado no início de fevereiro. Em todos os casos, a circulação do vírus teve início entre duas e quatro semanas antes das primeiras confirmações de casos em viajantes.

O estudo foi publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e contou com a participação do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, da Fiocruz-Bahia, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade da República (Udelar), no Uruguai. Diante da urgência de informações científicas sobre a doença, a publicação se deu na seção fast-track dedicada a estudos sobre a pandemia. A íntegra pode ser conferida aqui.

Segundo o estudo, encontrar o início da transmissão comunitária por meio de análises genéticas tem como obstáculo o curto período de tempo desde o início da epidemia e a quantidade limitada de genomas do Sars-CoV-2 que já foram sequenciados na maioria dos países.

Os pesquisadores desenvolveram, então, um método estatístico para estimar o início da transmissão comunitária a partir do número de óbitos nas primeiras semanas. O total de mortes é considerado o dado mais confiável, devido à carência de testes e ao grande número de casos assintomáticos. A partir desse dado, os cientistas consideraram que o tempo médio entre a infecção e o óbito é de três semanas e que a taxa de mortalidade gira em torno de 1%.

Para confirmar a validade do método, o cálculo foi aplicado em casos dos Estados Unidos e da China, onde já havia uma data determinada para o início da transmissão comunitária a partir da análise genética do Sars-CoV-2. Os resultados obtidos com o cálculo estatístico foram semelhantes aos da análise genética.

O IOC destaca que a pesquisa corrobora outras evidências de que o coronavírus começou a circular no Brasil antes do primeiro caso oficialmente confirmado.

Uma delas é a hospitalização de pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), medida pelo sistema Infogripe, da Fiocruz. O número de internações encontra-se acima do observado em 2019 desde meados de fevereiro.

Instituto Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz(IOC/Fiocruz)
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Investimento privado será foco da retomada do crescimento

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A retomada do crescimento da economia brasileira será principalmente com capital privado, afirmou hoje (7) o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, José Salim Mattar Júnior, em transmissão ao vivo.

De acordo com o secretário, há no mundo US$ 1,5 trilhão disponível para investimentos, principalmente para geração e distribuição de energia, infraestrutura, concessões e saneamento. “O que precisamos é atrair esse capital estrangeiro através de segurança jurídica, de facilidade de entrada de capital e saída. Acredito que podemos fazer a retomada do crescimento do Brasil principalmente com capital privado”, afirmou Salim Mattar.

Entretanto, ele disse, a crise gerada pela covid-19 impede novos investimentos. “Neste presente momento, com o coronavírus, o mercado deu uma reduzida, a bolsa caiu, os investidores estão mais apreensivos, estão um pouco receosos de fazer investimentos. Este não é um momento bom de continuar vendendo ativos”, afirmou.

Para o secretário é preciso reduzir o tamanho do estado, considerado por ele “gigantesco, obeso, lento, burocrático e oneroso para o pagador de impostos”.

Salim Mattar disse ainda que a legislação atual torna lento o processo de venda de empresas públicas. “Existe uma arcabouço legal jurídico para proteger o bem do cidadão. Foi feito com boa intenção para proteger o pagador de imposto. Só que é dificílimo vencer um bem do estado. As empresas desestatizadas no passado gastaram 30 meses em média para serem privatizadas. Na iniciativa privada se vende entre 45 dias e 75 dias”, disse.

Além da venda e fechamento de empresas públicas, Mattar disse que é preciso reduzir o patrimônio imobiliário da União avaliado em R$ 1,3 trilhão. De acordo com o secretário, são 750 mil imóveis mas poucos estão aptos a serem vendidos por terem a documentação em dia.

Servidores públicos

Na transmissão por rede social, Salim Mattar disse ainda que atualmente há duas classes de cidadãos – os servidores públicos, com estabilidade, e os trabalhadores da iniciativa privada. “Precisamos ter uma única classe de cidadão”, disse. Ele acrescentou que a renda per capita de Brasília é de R$ 70 mil, por ano, enquanto de São Paulo é R$ 50 mil. “O estado que mais produz não tem a maior a renda. A maior renda está em Brasília, exatamente com quem nada produz”, afirmou.

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Israel anuncia descoberta de anticorpo para o coronavírus

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O Instituto de Israel para a Investigação Biotecnológica, do Ministério da Defesa, anunciou que desenvolveu um anticorpo para o coronavírus e que prepara a patente para depois entrar em contato com empresas farmacêuticas, com o objetivo de produzir em escala comercial. 

Em comunicado, o instituto assegura que o anticorpo desenvolvido ataca e neutraliza o vírus nas pessoas doentes. 

“De acordo com os pesquisadores, liderados pelo professor Shmuel Shapiro, a fase de desenvolvimento do anticorpo foi concluída”, acrescenta a nota.

O ministro da Defesa de Israel, Naftali Benet, visitou o laboratório do instituto em Nezz Ziona, ao sul de Tel Aviv, onde tomou conhecimento da pesquisa. Ele afirmou que o “anticorpo ataca o vírus de forma monoclonal” qualificando o trabalho desenvolvido como “grande conquista”.

“Estou orgulhoso do pessoal do Instituto de Biotecnologia por esse avanço. A criatividade e o pensamento judaico atingiram grande resultado”, disse o ministro na nota. O texto não especifica se foram realizados testes em seres humanos.

Altos cargos do setor da defesa e da segurança israelita disseram que a descoberta é a “primeia desse tipo em nível mundial”.  

De acordo com a publicação digital Times of Israel, no mundo há cerca de uma centena de equipes de investigação à procura de uma vacina para o novo coronavírus, que provocou a pandemia, sendo que cerca de uma dezena estão, neste momento, em fase de teste em seres humanos.

Especialistas avisaram, em março, que o processo após o desenvolvimento de uma vacina em laboratório pode demorar pelo menos 18 meses.   

O Instituto para a Investigação e Biotecnologia de Israel dedica-se, entre outras atividades, a investigar armas químicas, procurando antídotos contra novas substâncias.

Em março, o jornal Haaretz publicou que o centro tinha conseguido avançar nas investigações sobre a vacina, tendo o Ministério da Defesa desmentido a informação.

Em nível global, segundo balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 250 mil mortes e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

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Open banking é regulamentado no Brasil

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O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) regulamentaram o open banking no Brasil. O open banking é o compartilhamento de dados e serviços bancários, com autorização dos clientes, entre instituições financeiras por meio da integração de plataformas e infraestruturas de tecnologia.

Para o BC, a regulamentação do open banking cria um ambiente propício para o surgimento de novas soluções de serviços e é um passo importante no processo de digitalização do sistema financeiro. “O open banking é uma iniciativa que vem sendo discutida em vários países ao redor do mundo, com escopo e dimensões diferentes. No caso brasileiro, optamos por um modelo o mais abrangente possível. O primeiro objetivo é empoderar o consumidor financeiro, bem na linha de proteção de dados, de que a informação pertence ao consumidor e cabe a ele decidir compartilhar ou não essa informação com terceiros. Esse projeto também facilita o aumento da eficiência no âmbito do sistema financeiro, incentiva a inovação, e naturalmente aumenta a competitividade”, disse o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso, em entrevista transmitida pela internet.

Segundo o BC, são exemplos de novos serviços que podem ser ofertados: comparadores de produtos e serviços financeiros, de serviços de aconselhamento financeiro, de gestão financeira e de iniciação de transação de pagamento em um ambiente mais familiar e conveniente para os consumidores.

A nova regulamentação permite, desde que haja prévio consentimento do cliente, o compartilhamento padronizado de dados e serviços por meio de abertura e integração de sistemas, por instituições financeiras, instituições de pagamento e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BC.

Damaso citou um exemplo de situação em que o open banking pode oferecer vantagens para os consumidores. “Por exemplo, eu tenho uma conta no banco X e estou no cheque especial. Posso permitir que um terceiro tenha acesso a essas informações da minha conta corrente e no momento que ele identifica que vou entrar no cheque especial, ele me concede um crédito mais barato, cobrindo meu cheque especial naquela instituição financeira”, disse.

A implementação do open banking seguirá um cronograma começando em 30 de novembro de 2020 e concluindo em outubro de 2021, com base nas seguintes fases:

Fase I: acesso ao público a dados de instituições participantes do open banking sobre canais de atendimento e produtos e serviços relacionados com contas de depósito à vista ou de poupança, contas de pagamento ou operações de crédito;

Fase II: compartilhamento entre instituições participantes de informações de cadastro de clientes e de representantes, bem como de dados de transações dos clientes acerca dos produtos e serviços relacionados na Fase I;

Fase III: compartilhamento do serviço de iniciação de transação de pagamento entre instituições participantes, bem como compartilhamento do serviço de encaminhamento de proposta de operação crédito entre instituições financeiras e correspondentes no País eventualmente contratados para essa finalidade; e

Fase IV: expansão do escopo de dados para abranger, entre outros, operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta, tanto no que diz respeito aos dados acessíveis ao público quanto aos dados de transações compartilhados entre instituições participantes.

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Senai seleciona projetos de impacto no combate ao novo coronavírus

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Realizada no âmbito do Edital de Inovação para a Indústria, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) selecionou dez propostas de soluções de impacto contra a pandemia do novo coronavírus, para participar da iniciativa batizada de Missão Covid-19. 

Em duas etapas anteriores, a entidade contemplou 15 projetos, todos na forma de consultorias, metrologias, ensaios e análises e ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que oferecem respostas à causa. 

No total, será destinado um aporte de R$ 24,5 milhões aos projetos. O valor máximo reservado para um único projeto é de R$ 2 milhões. O edital é financiado conjuntamente pelo Senai, pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Um dos projetos escolhidos é da fabricante de eletrônicos Novus. Com um sistema composto por câmeras e de medição de índices corporais, como temperatura e frequência respiratória, o dispositivo visa reduzir a contaminação de profissionais de saúde durante a triagem de paciente. Os dados coletados pelo dispositivo poderão ser utilizados para auxiliar as equipes de atendimento a mapear o perfil dos pacientes que dão entrada nas unidades, usando recursos de inteligência artificial.

Outro projeto aprovado no edital consiste em um revestimento antiviral, cujo componente principal é a prata. O produto deverá ser lançado na forma de spray, para que seja aplicado em pontos como maçanetas de portas e balcões de atendimento, facilitando, assim, a esterilização de tais superfícies. 

Conforme destaca o diretor-geral da TNS Nanotecnologia, Gabriel Nunes, empresa que irá desenvolver o spray, em conjunto com a Paumar (WEG Tintas), as nanopartículas de prata já são uma técnica presente em produtos disponíveis no mercado. Como exemplos, Nunes cita itens da indústria têxtil, cosméticos e tintas. “O nosso principal ativo nesse produto é a prata. Muita gente conhece a prata por ser um metal precioso. Mas, lá, vindo da época milenar, a utilização de pratas para o uso de talheres ou utensílios doméstico não é só porque é bonito e valioso, mas porque a prata tem uma propriedade natural de eliminar microorganismos”, explica.

Segundo Nunes, tendo em vista as regras do edital e que a equipe irá iniciar o desenvolvimento em maio, o projeto deve estar pronto em novembro, com a apresentação da solução proposta. A ideia é de que o spray seja vendido em farmácias e supermercados, tanto no Brasil como no exterior.

Perguntado, pela Agência Brasil, sobre como funcionam as certificações necessárias para que o produto possa ser lançado e comercializado, Nunes esclarece que, de forma geral, é necessário comprovar que a substância não faz mal para o organismo, nem em curto, nem em longo prazo. Para tanto, são realizados diversos testes, em que os pesquisadores a submetem a fatores como calor e luz excessivos, simulando mudanças a que pode estar sujeita no tempo. 

“Hoje temos que comprovar que essa tecnologia não é tóxica nem citotóxica (que não faz mal a células). Nós já conseguimos conferir que não é tóxica para as células de rim e pulmonares. Agora, já aplicamos para a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] nos fornecer um número de registro, e isso leva cerca de 60 dias para sair, sendo que um laboratório emite um resultado e depois a gente leva para a Anvisa. Nós temos que fazer um teste de envelhecimento acelerado, para comprovar que,mesmo ao longo dos meses ou anos, o produto não vai se transformar em algum complexo químico”, esclarece.

“Temos que seguir algumas normas e a maioria delas se baseia em princípios como envelhecimento por lâmpada UV [ultravioleta], para simular que o sol está incidindo sobre aquele material, só que a gente coloca sob uma intensidade muito forte, para simular que você está naquele sol do meio-dia, do verão. Depende do equipamento, mas tem uns em que um dia [de exposição] equivale a uma semana. Além disso, você estressa o produto de maneira anormal, você aquece e esfria, aquece e esfria, várias vezes, e nisso a gente vai verificar se, ao longo do tempo ou dentro de um meio de transporte, um navio, um avião, [o material] vai sofrer alguma alteração. E tem simulação para ver se provoca irritação dérmica. Antigamente, era feito em animais. Hoje, agora só é feito sob simulação. Então, a gente tem que ter todo esse embasamento teórico pronto, para montar um dossiê. Esse dossiê vai para a Anvisa autorizar”, detalhou Gabriel Nunes.

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33,6% das empresas brasileiras são inovadoras

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No período de 2015 a 2017, 33,6% de um universo de 116.962 empresas brasileiras com dez ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos. Essa taxa de inovação ficou 2,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no triênio anterior de 2012-2014, quando alcançou 36%.

As informações constam da Pesquisa de Inovação (Pintec) 2017, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (16) com dados sobre o esforço de empresas dos setores da indústria, serviços e eletricidade e gás – entre 2015 e 2017 – para a inovação de produtos e processos.

Segundo o IBGE, uma empresa é considerada inovadora quando introduz no mercado um produto ou implementa um processo novo ou substancialmente aprimorado.

De acordo com o instituto, a retração econômica do período 2015/2017 afetou diretamente as iniciativas de inovação, não apenas com o recuo na taxa de inovação, mas também com a queda nos investimentos em atividades inovadoras e nos incentivos do governo à inovação tecnológica.

Os gastos em atividades inovativas, das 39.329 empresas inovadoras, atingiram R$ 67,3 bilhões em 2017, representando 1,95% da receita líquida de vendas do universo das companhias, com uma queda de 17,42% em relação aos R$ 81,5 bilhões investidos em 2014, equivalentes a 2,5% da receita líquida.

Pela primeira vez na série histórica da Pintec, investimentos pelas empresas em atividades internas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ficaram à frente de aquisição de máquinas e equipamentos. Do total de gastos, R$ 25,6 bilhões foram para atividades internas de P&D. Outros R$ 21,2 bilhões foram aplicados na aquisição de máquinas e equipamentos e R$ 7 bilhões na aquisição externa de P&D.

O gerente responsável pela pesquisa, Flávio Peixoto, explica que, com a recessão econômica do período entre 2015 e 2017, o apoio do governo à inovação por meio de linhas de financiamento registrou queda acentuada, tendo forte impacto na compra de máquinas e equipamentos voltados para atividades inovativas.

“O apoio público é muito importante. Quando esse apoio diminui, existe grande tendência de as empresas também diminuírem suas atividades inovativas”, disse o analista. “Também tivemos o efeito do câmbio e os insumos importados ficaram muito caros, o que afetou a aquisição externa de máquinas e equipamentos”.

Segundo a pesquisa, o percentual de empresas beneficiadas com algum incentivo do governo recuou de 39,9%, em 2014, para 26,2%, em 2017. O financiamento à compra de máquinas e equipamentos, principal mecanismo de incentivo à inovação, foi a modalidade que mais perdeu relevância, caindo de 29,9% de empresas beneficiadas em 2014 para 12,9% em 2017.

Outra modalidade de apoio à inovação, que são os incentivos fiscais da Lei do Bem (Lei 11.196/2005), teve um pequeno avanço. As empresas que se beneficiaram da Lei do Bem passaram de 3,5% em 2014 para 4,7% em 2017. Essa norma é considerada um dos principais instrumentos de incentivo à inovação no setor produtivo.

Obstáculos à inovação

De acordo com o IBGE, no período 2015-2017, os riscos econômicos excessivos ganharam importância para as empresas inovadoras e se configuraram como o principal obstáculo para inovar para 81,8% delas. Por outro lado, os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação no ranking de importância, observados na Pintec 2014, para a segunda na Pintec 2017, sendo indicado por 79,7% das empresas inovadoras.

“A falta de pessoal qualificado foi indicada por 65,5% das empresas inovadoras, despontando como terceiro obstáculo no ranking, ganhando espaço em relação à escassez de fontes apropriadas de financiamento (63,9%), que caiu para a quarta posição”, informa o IBGE.

As empresas que não inovaram no período 2015-2017 apontaram as condições de mercado como a principal razão para não ter realizado atividade inovadora, motivo relacionado com o período de recessão da economia brasileira.

Para o gerente responsável pela pesquisa, um período recessivo causa impacto na decisão da companhia em inovar. “A inovação é uma decisão estratégica e de longo prazo da empresa. É um fenômeno que custa a aparecer. Tem maturação longa em vários aspectos. No momento em que a empresa se depara com riscos econômicos, é muito natural que ela retraia os seus investimentos em inovação”.

Ainda de acordo com a pesquisa, as empresas maiores são as mais inovadoras. Os investimentos em atividades inovativas estão concentrados em companhias de maior porte: 68,9% dos gastos totais foram feitos por empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas.

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Decisões

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Nesse momento desafiador, me pareceu apropriada a releitura de um instigante livro: Defining Moments: When Managers Must Choose between Right and Right, do Professor Joe Badaracco, da Escola de Negócios de Harvard. Publicada em 1998, a obra se revela muito atual. 

Digo isso porque tenho participado da tomada de importantes decisões nos conselhos e órgãos colegiados dos quais participo. Muitas delas complexas. Algumas críticas. E faz parte do jogo, pois a posições de poder correspondem complexas responsabilidades. 

A inspiradora frase “faça a coisa certa” é muito útil para a criação ou no reforço da cultura corporativa. Mas certamente é insuficiente nas situações em que todas as opções na mesa são certas. Há momentos em que valores pessoais conflitam com os valores corporativos. Ou sociais. E nenhuma das opções representa algo ilegal ou injusto (até mesmo porque jamais será unânime a definição do que é justo ou injusto)- É o dilema que o autor chama de right-versus-right, escolhas compreendidas como defining moments ou “momentos decisivos”. E fazer uma coisa certa pode deixar outras coisas também corretas sem serem feitas. 

Decisões tomadas marcam para sempre as trajetórias pessoais e profissionais de quem as tomou. Acrescento, escolhas são invariavelmente feitas em algum contexto específico. 

O contexto que vivenciamos agora, de intensa crise, torna o processo decisório ainda mais intrincado, pois há necessidade de se reavaliar escolhas já feitas e readequar os caminhos num cenário que se demonstra por demais incerto, sem a presença de evidências suficientes, portanto frágil e volátil.

Os dilemas do right-versus-right, muito mais complexos do que aqueles entre o certo e o errado, em que a decisão é óbvia, permeiam os órgãos executivos e colegiados da administração pública e privada. 

Os negócios não podem prescindir de escolhas. E necessitam, ainda mais em tempos difíceis, de assertividade. O gestor tem que decidir, escolher, comprometer e agir. Isso não quer dizer que necessariamente há de se tomar, imediatamente, medidas radicais. Ao contrário. Em determinados momentos, observar também pode conduzir a um resultado favorável. Ou menos ruim. Cada caso é um caso e cada contexto é um contexto. Senão deixaríamos os computadores serem os gestores das empresas.

Noto, ainda mais, que o processo de tomada de decisão é, certamente, facilitado pela existência de um sistema atuante de governança corporativa. Nas organizações em que atuo como conselheiro, há intensos debates sobre os ajustes a serem feitos. O exercício da orientação estratégica, pelo conselho de administração e a possibilidade do CEO e da diretoria executiva poderem contar com opiniões e recomendações de experientes conselheiros auxilia na caminhada pelo caminho tortuoso. 

Tenho recebido vídeos e áudios de líderes em pânico, algo que em nada contribuirá às suas organizações e à sociedade. À liderança, mais do que nunca, cabe exercer seu papel em postura pró-ativa e serena, com formas concretas e criativas de se resolver – ou mitigar – confusas situações de conflitos ambíguos. O momento é muito difícil para todos.

Para quem se interessar, os links para adquirir o livro:

AMAZON US ou AMAZON BRASIL.

Fabio Malina Losso é membro associado do Instituto O Pacificador, Doutor em Direito Civil, com distinção, pela USP, é Visiting Scholar na Universidade de Chicago, onde é membro de conselho desde 2009, tendo sido Presidente do Conselho Internacional do Reitor da Harris School. É membro de conselhos de administração e consultivos no setor energético, financeiro e varejo.

Novas tecnologias digitais aumentam produtividade de empresas

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Um programa piloto realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com 43 empresas de 24 estados, mostrou que as novas tecnologias digitais da Indústria 4.0 aumentam em cerca de 22% a produtividade de micro, pequenas e médias empresas. Denominado Indústria Mais Avançada, o projeto é o primeiro a testar o impacto na produção do uso de ferramentas de baixo custo como sensoriamento, computação em nuvem e internet das coisas (IoT).

Indústria 4.0 é um termo recente que explica a aplicação das novas tecnologias nos principais processos industriais. Entre as características mais marcantes estão a automação de tarefas e o controle de dados e informações. O surgimento e utilização dessas ferramentas está sendo classificado como a quarta revolução industrial, devido à possibilidade de um impacto mais profundo e por se caracterizar por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico.

Entre as ferramentas utilizadas estão a Impressão 3D (adição de material para fabricar objetos, formados por várias peças, constituindo uma montagem); Inteligência Artificial (busca simular a capacidade humana de raciocinar, tomar decisões, resolver problemas, dotando softwares e robôs de capacidade de automatizar vários processos); Internet das Coisas (possibilidade de que objetos físicos estejam conectados à internet, podendo assim executar de forma coordenada uma determinada ação).

Há ainda a Biologia Sintética (convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas de química, biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes biológicas); e Sistemas Ciber-Físicos (sintetizam a fusão entre o mundo físico e digital, com todo objeto físico e os processos físicos que ocorrem, em função desse objeto, digitalizados).

“O objetivo do Senai com a experiência-piloto, chamada de Indústria mais Avançada, é refinar um método de baixo custo, alto impacto e de rápida implementação, que ajude as empresas brasileiras a se inserirem na 4ª Revolução Industrial. A iniciativa do Senai prova que a Indústria 4.0 é para todos: qualquer tipo de empresa, em qualquer estado do Brasil. O resultado nacional é relevante, e, principalmente, houve ganhos significativos para todas as empresas atendidas”, disse o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

Segundo o Senai, os pilotos foram realizados entre maio de 2018 e outubro deste ano, em empresas dos segmentos de alimentos e bebidas, metalmecânica, moveleiro, vestuário e valçados. Foram instalados sensores para coletar dados, e as informações foram transmitidas para uma plataforma que acompanha em tempo real o desempenho da linha de produção, podendo ter maior controle dos indicadores do processo e antecipar-se a possíveis problemas.

“As empresas que obtiveram maiores ganhos com as tecnologias digitais foram aquelas que utilizavam menos técnicas de gerenciamento da produção antes de participar do programa. A técnica nova, ao ser introduzida em uma empresa que utiliza poucos métodos de gestão, proporciona ganho maior em produtividade”, disse o gerente executivo de Inovação e Tecnologia do Senai, Marcelo Prim.

De acordo com o Senai, a análise mostrou ainda que a percepção do ganho obtido com a tecnologia é muito afetada pelo porte da empresa. As médias e grandes empresas tendem a investir em tecnologias da Indústria 4.0 para dar continuidade aos esforços de aumento de produtividade. Os micro e pequenos empresários valorizam mais a agilidade permitida pelo sistema.

“O sistema permite aprender com o processo produtivo, diminuindo o tempo de resposta, tornando-o mais ágil e previsível. Garantir que aquilo que o empresário planejou será entregue nos prazos que ele combinou com o mercado traz um nível de competitividade maior para a pequena empresa, e ela consegue se inserir mais facilmente nas cadeias de valor”, explicou Prim.

Entre as recomendações para aderir à indústria 4.0 estão enxugar processos, qualificar trabalhadores, empregar tecnologias disponíveis e de baixo custo, investir em pesquisa.

Agência Brasil